08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Nota de pesar


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Esta semana, os ambientalistas de Bauru estão em luto. Bauru perdeu o maior remanescente de vegetação nativa da Zona Sul, nas margens da avenida José Vicente Aiello, próximo ao Jardim do Ipê. Milhares de faveiros, pequizeiros, copaíbas, sucupiras, paus de tucano e angicos de uma área de transição entre o cerrado e a mata atlântica foram derrubados. Animais como tatus, quatis, veados catingueiros e tamanduás perderam suas casas. Tudo em nome da especulação imobiliária.

Estive na área para conferir os estragos e aproveitei para salvar algumas bromélias que seriam esmagadas pelas rodas do trator. Acabei sendo acusado, em uma tentativa de intimidação, de estar furtando. Desde quando salvar alguma coisa que seria destruída é furto? É a mistura da ganância e do egoísmo dos empreendedores que se acham donos do mundo com as brechas da legislação ambiental.

Esta área de Bauru que foi desmatada era considerada pelo decreto federal 5.092/2004 e pela Portaria MMA 126/2004 como área prioritária para conservação. Na área existiam espécies consideradas ameaçadas de extinção que deveriam ser sido protegidas. Nada foi feito.

O cerrado é considerado um dos 34 biomas mais ameaçados do mundo. Sua biodiversidade é uma das maiores do mundo com 195 espécies de mamíferos, 837 de aves e 180 de répteis. Sua flora possui mais de 10 mil espécies de plantas. Cerca de 80% de sua área original já foram desmatadas, sendo que apenas 1,7% estão protegidas em unidades de conservação federais de proteção integral.

Em São Paulo, o cerrado possui hoje menos de 0,9% de remanescentes, sendo que destes, apenas 18% estão em unidades de conservação. No período de 1997 a 2003, só o DEPRN emitiu 33.012 autorizações de supressão, totalizando um desmatamento de uma área de 28.400 hectares.

Precisamos urgentemente promover medidas adequadas para impedir que a destruição continue. Até quando vamos continuar autorizando desmatamentos em nossa cidade? Já passou da hora de uma proibição. Desmatamento zero já.

Rodrigo Agostinho - ambientalista e vereador - RG 25.539.031-2