09 de julho de 2026
Economia & Negócios

INSS precisará de 3 meses para liberar 500 processos

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de mais de dois meses com o atendimento limitado pelo período de greve dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 500 processos foram acumulados na agência da Previdência Social de Bauru. Liberar esses pedidos de benefícios é a prioridade definida pela gerência executiva do órgão e a chefe da agência, Regina Maria Alves Gonzales. Cerca de três meses devem ser necessários para colocar tudo em dia.

“Não estou com represamento de público, e sim de processos. O que adianta eu atender (os segurados) se não vou liberar o pagamento daqueles que estão aguardando?”, indaga Gonzales. Ela ressalta que serão necessários no mínimo três meses para analisar e encaminhar a pilha de solicitações de benefícios acumulada durante os 75 dias de paralisação.

A este volume de processos parados ainda somam-se os pedidos requeridos antes da paralisação e os que voltaram a ser protocolados normalmente desde anteontem, com o retorno das atividades.

A maioria dos processos represados é de solicitação de aposentadoria. Para agilizar as concessões de benefícios parados, os funcionários vão trabalhar duas horas a mais durante a semana (das 8h às 16h), segundo ficou acordado entre o governo federal e o comando nacional de greve na última sexta-feira.

No entanto, há algumas particularidades que variam de acordo com a realidade de cada agência. A de Bauru, por exemplo, não tem recebido um volume anormal de pessoas desde o retorno das atividades porque funcionou parcialmente durante a greve. Por enquanto, a chefe da agência descarta o trabalho extra aos sábados, que só será acionado se houver necessidade.

Atendimento

De acordo com Gonzales, ontem a movimentação maior na agência foi até as 14h. “Nós estamos solicitando para que os segurados venham preferencialmente na parte da manhã ou até as 14h (para pedidos de benefícios). Das 14h às 16h, daremos apenas informações”, explica.

Neste período, de acordo com o gerente-executivo do INSS de Bauru, Josué Lopes Moreira, serão priorizados os trabalhos internos. Apenas problemas considerados urgentes serão atendidos entre 14h e 16h.

Anteontem, o movimento de pessoas na agência da rua Azarias Leite ficou abaixo do esperado. Gonzales comenta que eram esperados pelo menos 800 segurados, porém, apenas 475 compareceram ao posto. No período de greve, a agência atendeu em média 400 pessoas por dia.

Aliás, quem chegou cedo à agência ontem, temendo longas filas, teve uma surpresa. O movimento foi tranqüilo e sem formação de filas, ambiente muito diferente do encontrado na agência de Jaú. Sem aglomerações no interior do posto de serviço em Bauru, o tempo de espera para atendimento foi normal.

Claudenice Aparecida Guilherme foi à agência da Previdência ontem para incluir documentos num processo de pedido de auxílio-doença para o marido, afastado das atividades profissionais como ajudante de cozinha. Ela avalia que a greve atrapalhou a concessão do benefício.

Fátima Matias aguardava sua vez para entregar documentos e marcar perícia médica para a filha Iraí, que é portadora de deficiência. Na semana passada ela já havia comparecido ao posto para se informar sobre os papéis exigidos.