09 de julho de 2026
Geral

Assistência à saúde de fundo mútuo gera divergência com CRM

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O aposentado José Mário Pinho de Assis, 62 anos, há cerca de 20 dias trocou um plano de saúde por um de assistência familiar funerária. Ele desembolsará quatro vezes menos com o novo contrato. Em contrapartida, terá que pagar pelo menos 50% do valor de uma consulta médica particular para ser atendido. O Conselho Regional de Medicina (CRM) alerta que a substituição não garante retaguarda na área de saúde, como cirurgias e internação.

“Incorre (o usuário) num erro de interpretação”, diz o conselheiro do CRM Carlos Alberto Monti Gobbo. Mas Assis garante estar imune a dúvidas ou equívocos desta natureza. De acordo com ele, a empresa da qual contratou serviço de assistência familiar funerária deixou claro o alcance da cobertura do plano.

“Pelo que vou pagar, não tem jeito (de confundir). Só o desconto já vale a pena”, reitera. De acordo com o que apurou a reportagem, em média a consulta particular custa R$ 100,00, porém, o conveniado despende montante próximo a R$ 30,00.

“O médico não pode tornar a medicina um comércio. Isso fere o Código de Ética (da categoria). Se o conselho receber uma denúncia, (o profissional) é submetido a processo disciplinar”, afirma Gobbo. Ele reforça que o CRM defende a livre escolha do médico, procedimento desrespeitado quando o plano de assistência familiar dirige a demanda para determinado consultório. Atraído pela quantidade de novos clientes, o médico seria aliciado pelas empresas funerárias.

Um colega de Gobbo discorda, embora admita atender um número maior de pacientes a partir do convênio. “A cartela aumenta, sim. Me interessei por causa disso, mas também para dar acesso (à saúde) a pessoas que não teriam. A maioria é muito humilde. Não consegue pagar (plano de saúde convencional) e não quer ficar refém da falta de agilidade do poder público”, afirma.

É o caso da manicure Firmina Soares da Silva. Após passar por quatro assistentes sociais e descobrir que só conseguiria submeter o neto ao exame de encefalograma - via Sistema Único de Saúde - seis meses após o pedido médico, decidiu usufruir do plano de assistência familiar. “Pago o fundo sempre, certinho. Até adiantado. O exame era R$ 130,00 e paguei R$ 80,00. Me ajudou muito, fiquei em paz”, garante.

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Diferenças

Em linhas gerais, o plano de assistência familiar funerária tem como principal objetivo ofertar serviços de cerimonial. Já o de saúde presta assistência na área, com atendimentos que vão desde consultas médicas até internação e cirurgia.

No entanto, as empresas funerárias também passaram a oferecer aos clientes um cartão-desconto, que garante abatimento no preço de consultas médicas, procedimentos e outros serviços.