O desmatamento parcial da área de 200 mil metros quadrados, onde será construído o Residencial Villa Lobos, também virou caso de polícia. Ontem de madrugada, um boletim de ocorrência por furto consumado foi registrado contra o vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho (PMDB).
Ele esteve na área do loteamento, acompanhando por outro membro do Instituto Ambiental Vidágua, do qual também faz parte, para verificar as circunstâncias em que se deu a retirada das árvores e checar o cumprimento das exigências do DPRN. Na ocasião, Agostinho admite ter pego cerca de oito bromélias, que morreriam se permanecessem no local.
A presença dele na área de propriedade da família, além da subtração das espécies, foi flagrada por João Farid Maddi Júnior, procurador da área, que recorreu à polícia.
“Para mim isso foi uma intimidação, mas não vou me intimidar. Salvei oito bromélias grandes. As plantas serão doadas ao Jardim Botânico. Furto é quando se tira vantagem, eu não tirei. O Vidágua sempre vistoria áreas desmatadas. A partir do momento que o Estado autoriza o desmatamento, o proprietário (abre mão). Aquela área é importante porque é uma transição entre cerrado e mata atlântica”, diz, na expectativa de que o processo seja arquivado.
No entanto, um inquérito foi instaurado na Delegacia Seccional, onde o vereador prestou depoimento, ontem pela manhã. “Só no decorrer da investigação vamos saber se houve crime ou não. Por enquanto é muito cedo (para análises preliminares)”, diz a delegada Cláudia Garmes. Ela comunicará oficialmente o presidente do Legislativo, Toninho Garmes (PSDB), sobre o inquérito.
“Vou analisar (com base no regimento interno da Câmara). Não sou superior hierárquico de nenhum vereador”, afirma o presidente da Câmara. O caso será avaliado ou pelo decreto lei número 201/67 (que trata das responsabilidades de prefeitos e vereadores) ou pela Comissão de Ética, de acordo com o enquadramento. Dependendo do caso, poderá até ser analisado pelos dois, esclarece Garmes.