Mário sempre fora o esmero em forma de gente. Elogiado com ênfase, era considerado pelos amigos um exemplo a ser seguido. Autêntico baluarte da virtude.
Calmo, sereno, pacífico, flexível, caridoso, educado, sensível, generoso, era dessa forma que a comunidade onde vivia o enxergava e por ele suspirava.
Porém, certa vez o “impossível” aconteceu. Mario perdeu o controle de seus atos. Irritado, discutiu com amigos, desequilibrou-se e acabou por se envolver em triste episódio de ofensas.
Equivocou-se nos caminhos da vida e peregrinou pelas trevas do vício. Os admiradores de outrora passaram a execrá-lo, não perdoavam seus enganos e comentavam sem piedade:
- Mário, hipócrita!
- Mário, o lobo em pele de cordeiro!
Necessitado de carinho e atenção, Mário foi desprezado pelos seus antigos afetos no momento em que mais precisava de amor e apoio.
Triste, cabisbaixo, entregou-se ao álcool. Nossa limitada visão da vida não raro nos leva a cometer exageros de toda ordem.
Ou bom, ou mal!
Ou anjo ou demônio!
Construir ídolos e julgá-los seres infalíveis é montar um castelo de ilusão que fatalmente se desmoronará.
Esses hipotéticos ídolos são criaturas como nós, enfrentam lutas íntimas, dramas, dores, angústias...
Imperioso enxergar no próximo um ser humano em evolução, sujeito a altos e baixos.
Sorriem e choram no cenário do mundo, se faz mister compreender seus momentos de dificuldade, suas falhas, seus equívocos para que não venhamos a cometer flagrantes injustiças e deixar de estender a mão a aquele amigo que tão importante papel desempenhou em nossa vida e que tantas alegrias já trouxe a um sem número de pessoas.
Nem anjos nem demônios, mas sim alunos matriculados nessa escola que se chama Planeta Terra!
Wellington Balbo - RG 27867929-8