09 de julho de 2026
JC Criança

Amamentar fortalece as crianças para a vida

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Você sabia que nenhum medicamento é capaz de produzir os anticorpos necessários para proteger o corpo humano de várias doenças? Mas, felizmente, existe o leite humano (ou materno, quando é de sua mãe) que é capaz de produzir um verdadeiro exército de proteção, impedindo que vírus e bactérias ataquem o nosso organismo. Por isso, o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade é muito importante. É nesse momento que o bebê vai ganhar forças para se proteger contra possíveis doenças.

A nutricionista Maria Nereida Panichi, coordenadora do Banco de Leite Humano da Secretaria Municipal de Saúde, explica que no passado incentivou-se o uso de leite de vaca na alimentação dos bebês, mas isso não foi bom, pois aumentou o índice de mortalidade infantil e as crianças começaram a ter mais doenças.

Ela explica que mamar no peito é muito mais saudável para o bebê. “Só tem vantagens, pois o leite humano é suficiente para alimentar o bebê até os 6 meses, não precisa dê suquinho, chazinho ou qualquer alimento. Nem a água é necessária, pois o leite da mãe possui tudo o que o bebê precisa. Além de evitar que os dentinhos fiquem tortos por causa da mamadeira”, orienta Nereida.

Falar sobre amamentação para o público infantil é uma das formas que os grupos de apoio ao aleitamento materno encontraram para valorizar o leite humano, pois o leite em pó e mesmo o de origem animal estavam substituindo o leite materno. “A gente fala que leite é para espécie específica. Leite humano para pessoas, leite de vaca para os bezerros; leite de cabra para os cabritinhos.” Cada mamífero tem o seu tipo de leite, por isso é comum encontrar crianças que têm sensibilidade ao leite de vaca. “Não é de sua espécie específica”, ensina Nereida.

“Mas o Brasil é mais avançado que muitos países no que diz respeito ao incentivo à amamentação. Nós temos leis que garantem à mãe que trabalham uma licença de quatro meses para dedicar-se ao recém-nascido, além de várias outras leis de amparo à lactante.” Além disso, há grupos de apoio, como o que foi criado em Bauru, a partir de uma iniciativa do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Bauru, a Rede Social de Fomento ao Aleitamento Materno, que desde 2001 vem reunindo profissionais da área de saúde para discutir o tema, sob a coordenação da técnica da área de saúde Maria Helena Lemos Pires.

De acordo com Nereida, o grupo de Bauru foi se fortalecendo com a participação de nutricionistas, médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais para incentivar o aleitamento materno. “Em Bauru, a gente se reúne há 3 anos e desde 2004 sentimos a necessidade de formar uma entidade não governamental, o que permitirá ampliar as ações do grupo.” O nome Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno Exclusivo (Gaame) foi escolhido pelos integrantes e resume seu principal objetivo.

São essas pessoas, unidas a entidades públicas, privadas e não governamentais, que organizam anualmente em Bauru a 14.ª Semana Mundial da Amamentação, que será realizada no Senac, de 25 a 31 de agosto. O tema desta edição é “Aleitamento materno e alimentação complementar”. Durante o evento, serão realizadas palestras, cursos, apresentações artísticas e várias atividades direcionadas ao tema. O Banco de Leite Humano da Secretaria Municipal de Saúde e Rede Social de Fomento ao Aleitamento Materno contam com a parceria da Divisão Regional de Saúde (Dir-10), Supermercado Confiança, Universidade Paulista (Unip) e Universidade do Sagrado Coração (USC).