08 de julho de 2026
Articulistas

‘A luta de classes de Duda Mendonça’


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A estratégia do presidente Lula enfrentar a pior crise política do País desde o processo que levou ao impeachment de Collor, em 1992, é a de radicalizar o discurso em favor dos pobres, indo inclusive às bases, como se estivesse em plena campanha eleitoral. Nisso Lula é bom, para fazer comícios, inflamar em discursos, exibindo assim uma oratória de palanque que, na verdade, nunca abandonou desde que foi eleito para o cargo máximo da República. E assim, com seus improvisos e retóricas, Lula vai tentando ganhar tempo e se esquivar da crise, procurando dar a impressão ao povo brasileiro de que ele não tem nada a ver com tudo o que está acontecendo.

A tônica dos discursos de Lula tem sido retomar o simplismo da visão classista da história (resquício da falida ideologia marxista que encantou as gerações do século XX, especialmente a dos anos 60). Pois bem: o presidente tem saído em defesa dos pobres e contra os ricos, dizendo que a direita está orquestrando uma conspiração contra o governo, tentando desestabilizá-lo. E argumenta que como a elite não pode ferí-lo na área econômica, cujos sucessos obtidos, na realidade, deve-se mais a opções feitas na Administração FHC e mantida pela atual equipe econômica, que, em nada ousou, mas tornou-se ainda mais subserviente ao FMI e aos grandes interesses do sistema financeiro internacional.

O discurso do presidente, com evidente síndrome conspiracionista típica de situações patológicas de quem se sente acuado, evoca uma concepção da história muito ultrapassada, que não convence mais. Quem estará orientando o presidente a manter essa retórica? O seu guru da comunicação, Duda Mendonça, que se notabilizou no País por patrocinar brigas de galo?

Elio Gaspari (em O Globo, 13.01.05), definiu muito bem alguns aspectos curiosos do nosso atual presidente da República: “Há no companheiro Lula muito mais deslumbramento do que ostentação. Foi esse o sentimento que o levou a comprar um avião de US$ 56 milhões. Pena, carregará o AeroLula nas costas como símbolo do desperdício de sua administração. Quando a repórter Marta Salomon mostra que o presidente petista gastou quatro vezes mais com o Airbus do que com o programa Primeiro Emprego, duas vezes mais do que com o saneamento urbano, isso revela a extensão da inépcia de sua administração. Comprar um avião é fácil. Basta redigir um edital e assinar os cheques. Empregar peão é outra conversa. Cumprir promessa de saneamento, muito outra. E acrescenta: “O deslumbramento ajuda os governantes a viverem na impressão de que as coisas vão bem (o AeroLula tem chuveiro), livrando-os da fadiga do exame dos fracassos.”

É hora do presidente Lula descer do palanque e assumir, de fato, o controle da situação como governante do País. É preciso assumir suas responsabilidades, agindo com firmeza e coerência, se quiser realmente ser convincente.

O autor, Valmor Bolan, é vice-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras - e-mail: valmorbolan@faenac.edu.br