Se tamanho fosse documento, poucos personagens do trânsito teriam o poder dos ônibus. Por ser rota obrigatória para quase todas as linhas da cidade e importante ligação entre as zonas leste e oeste, a avenida Rodrigues Alves tornou-se palco de inevitáveis conflitos entre motoristas profissionais e particulares.
Há nove anos ao volante de ônibus em diversas cidades da região, o motorista profissional Antônio Mauro Marques, 42 anos, garante que o trânsito bauruense “é o pior de todos” por onde já passou. “O motorista aqui parece não ter consciência que ele pode se tornar uma arma”, diz.
Para Marques, os pesados e lentos ônibus irritam os condutores de veículos mais leves e velozes. “Eles (motoristas) nos xingam quando não conseguem passar e depois fazem gestos obscenos. É um povo sem humildade”, analisa.
Ele reconhece que, por dirigir um veículo maior, sua responsabilidade deve ser redobrada. “Sei que, num acidente, mesmo se estiver com a razão serei prejudicado. Nenhuma vida deveria tirada no trânsito”, completa.