10 de julho de 2026
Geral

Manutenção da moradia vai além da ‘aparência’

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

A manutenção de uma casa vai muito além das aparências. Equipamentos que, na maioria das vezes, ficam “escondidos” são essenciais para o bem-estar da família. Os encanamentos e os dispositivos elétricos costumam ser os mais esquecidos. Geralmente, as pessoas só “descobrem” a existência do hidrômetro quando a conta de água vai parar nas alturas porque ele quebrou. Muitos nem sabem onde fica a caixa que abriga o medidor de energia, o popular “relógio da força”.

A importância da fiação elétrica só é lembrada quando a casa fica às escuras. Uma indústria brasileira de cabos elétricos alerta que 70% dos incêndios domésticos ocorrem por problemas elétricos em função de curtos-circuitos, geralmente em virtude de sobrecarga de energia.

O eletricista e encanador Décio Romacho aconselha que as residências com mais de seis cômodos possuam, além da caixa com medidor de consumo de energia, outra que separe as ligações por disjuntores. A instalação define dispositivo para tomadas, outro para chuveiros e um terceiro para interruptores. Em caso de curto-circuito, essa medida, conforme Romacho, evita a interrupção do fornecimento de energia.

A separação por disjuntores também facilita o conserto, porque é possível identificar em que ponto está o curto. “Vai desarmar um disjuntor e não a casa inteira. Dá problema se for uma chave só dentro do relógio para distribuição direta”, explica.

Ele comenta que os cuidados redobrados não são exagero porque, atualmente, grande parte das moradias possui dois chuveiros ou mais, microondas, ferro elétrico, ar-condicionado, aquecedor, secador de cabelo, todos equipamentos que consomem grande quantidade de energia da rede elétrica. A vida útil da fiação elétrica de uma moradia atualmente é muito maior pelo desenvolvimento tecnológico dos equipamentos que proporcionam maior durabilidade.

Plástica geral

O secretário municipal de Cultura de Bauru, José Augusto Ribeiro Vinagre, se prepara para mudar de endereço. Ele se muda em breve para uma casa que comprou e que está reformando. Ao planejar a obra, já imaginava que teria que investir dinheiro na troca da fiação elétrica pois estima que o sobrado tenha sido construído nos anos 60. “Vai saber como estava a fiação depois de tanto tempo. Você gasta um pouco mais agora para não ter dor de cabeça depois.” Porém, o aval para a reforma foi dado por um eletricista que avaliou as condições das instalações.

Vinagre conta que a troca dos fios é uma medida de segurança. Contribuiu também o fato da reforma prever a ampliação das dependências do sobrado, que ganhou três novos cômodos, um deles um banheiro.

Vinagre conta que a mão-de-obra para a reforma da parte elétrica vai custar R$ 900,00, mas não sabe quanto irá gastar com material. Ele acrescenta que o encanamento da residência foi trocado recentemente e não necessita de manutenção.

“Pelo cano”

Quem imagina que residência nova é sinônimo de poucos problemas com manutenção pode preparar o analgésico contra dor de cabeça porque terá que pôr a mão no bolso. Morando numa casa recém-construída, o empresário Mauro Barbosa Custódio se encheu de tranqüilidade. Quando adquiriu o imóvel, há seis anos, a única coisa que fez foi a pintura. Quem revendeu a casa havia construído com todo cuidado para morar, fato que aumentou ainda mais a segurança de Custódio.

Porém, escondido sob o piso há um problema que vem tirando o sossego do morador. A casa possui duas redes de esgotos independentes, sendo que uma delas insiste em entupir.

“A situação está crítica porque neste ano é a terceira vez que entupiu”, desabafa.

O entupimento já começa a pesar no bolso do empresário. A cada vez que aciona o serviço de uma desentupidora tem que desembolsar entre R$ 100,00 e R$ 150,00.

A solução será trocar toda a instalação para corrigir a caída do cano. A primeira providência foi quebrar parte do piso para localizar o problema. “Agora, não consigo achar o piso igual e estamos andando sobre o contrapiso”, reclama. Ele não imagina quanto irá gastar para solucionar todo o problema inclusive com a reposição do piso original.

A obra de desentupimento e localização do ponto exato do problema consumiu dois dias de serviço de Romacho e será necessário mais uma semana para refazer todo o encanamento.

“Na parte elétrica e encanamento tem que ter muito cuidado com a qualidade do material e mão-de-obra”, aconselha o morador.

Hidrômetro

A instalação do hidrômetro tem alguns macetes que o morador precisa estar atento para não ter problema com o equipamento que determina o valor mensal da conta de água. O Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro) estipula que o equipamento deva ser retirado para avaliação quando completar cinco anos de uso. O encanador comenta que a parte mais sensível da ligação é o cotovelo. Para evitar que esta conexão se parta, ele orienta que se coloque areia, material que evita a tensão que ocasiona a quebra do cano.

Um equívoco é garantir boa tubulação apenas para a água e dar menor importância à qualidade dos tubos que vão escoar o esgoto. Romacho faz um alerta para que se use produtos de qualidade nas instalações de esgoto. “Já peguei cano de seis metros que dobra. Este não adianta nem colocar porque vai dar zebra. O problema maior em residências é no encanamento. Tanto na água quanto no esgoto. Estourou um cano, a casa cai”, alerta.

Outro equipamento que costuma dar dor de cabeça é a caixa de gordura que o morador só descobre que existe quando entope. O encanador explica que apenas 20% dos imóveis em Bauru contam com o sistema que exige limpeza constante para não transbordar.