08 de julho de 2026
Cultura

Scandurra eletrônico

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

“A música eletrônica coincide com meu momento atual, de buscar misturas, não exclusivamente eletrônicas ou só de batidas, mas também com uma coisa experimental, de rock e com letras. É a atitude rock’n’roll na música eletrônica. Eu me encontrei assim.”

O autor do pensamento acima é o músico Edgard Scandurra, guitarrista da banda Ira! e que se apresenta hoje à noite, na unidade do Serviço Social do Comércio (Sesc), com seu projeto/banda eletrônica Benzina. A dubiedade na classificação vem do fato de que Scandurra não está mais sozinho no comando das pistas em seus live P.A. – apresentação de música eletrônica ao vivo, utilizando instrumentos, sintetizadores ou batidas pré-gravadas, mas sem discos. Ele agora é acompanhado pela baixista Sandra Coutinho e pela percussionista Michelle Abu.

“Há um ano, a gente vem se apresentando como trio. Tenho minhas bases e programações para disparar ao vivo, mas temos uma mistura maior de orgânico com eletrônico”, comenta, em entrevista por telefone ao JC Cultura. A guitarra de Scandurra, que fez sua fama como um dos melhores músicos do País, também está presente no Benzina. “Às vezes fico mais solto e descomprometido com a guitarra. Ela fica ali, de lado, mas entra como interferência, um toque pessoal ou improviso”, destaca.

Como Benzina a.k.a. (“as known as”, ou seja, “também conhecido como”) Scandurra, o guitarrista/produtor já lançou dois discos: um homônimo, de 1996, e “Dream Pop”, de 2003, ambos muito elogiados pela crítica e que passeiam pelo rock, techno, electro e tech-house, incluindo também um certo clima latino. Na apresentação de hoje, ele aponta que deve mesclar músicas dos dois álbuns com composições novas. “São coisas que já surgiram nessa nova formação, como banda.”

Ele revela que pretendia lançar ainda em outubro um novo disco do Benzina, porém a agenda de compromissos do Ira!, que está divulgando o bem-sucedido “Acústico MTV”, dificultou as gravações. “Acho que terei tempo suficiente para lançar em março. Pretendo fazer mais coisas com elas (Sandra e Michelle), tirar mais som, gravar ao vivo. Estamos em um momento bacana, seguramos bem o som que queremos fazer”, diz o músico.

Aliás, é como músico que Scandurra prefere ser classificado. “Acima de tudo, é o que eu sou, um músico procurando virar produtor – muitos tentam o contrário. Sou músico mexendo com produção, trabalho com composição, independente de onde, no computador, programando ou na guitarra”, frisa.

Freqüentador da cena eletrônica brasileira há anos, Scandurra queixa-se de uma passada solidão, quando ainda era o homem só do Benzina. “Nas viagens, nos aeroportos, ficar sozinho é chato, sem ninguém para contar uma piada, naquele espírito de banda. Mas geralmente há uma intimidade muito grande com o público, o que compensa a solidão. As pessoas estão dançando a sua música, é até mais legal do que no rock, onde o pessoal vai mais para cantar, bater palma. Com a eletrônica, você faz as pessoas dançarem”, observa.

A oportunidade para dançar é hoje, com um dos trabalhos mais elogiados da eletrônica brasileira. A apresentação, mais uma na qualificada e atual agenda cultural do Sesc, integra o Simpósio “Interfaces das Representações Urbanas em Tempo de Globalização”.

• Serviço

Benzina a.k.a. Scandurra, hoje, às 22h, no Serviço Social do Comércio (Sesc), que fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Ingressos a R$ 6,00 e R$ 3,00 (matriculados, estudantes com comprovante e maiores de 60 anos). Grátis para inscritos no simpósio. Mais informações: (14) 3235-1750.