11 de julho de 2026
Articulistas

Falar de sexo na escola


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Falar sobre sexo na escola é ainda bastante difícil. Mesmo depois de tantos debates sobre o assunto, dos quais têm participado psicólogos, pedagogos, educadores e outros profissionais. E é possível perceber isso através do relato de alguns professores ou até mesmo nas conversas informais com os alunos. Tratar sobre o assunto, muitas vezes, é confundido como forma de ofensa ou mesmo de agressão. O tema envolve muitos preconceitos e abordá-lo em sala de aula requer maturidade e conhecimento teórico por parte da equipe pedagógica. Ignorá-lo não é a melhor opção, já que a escola cumpre, ou deve cumprir, seu papel de agente de formação para a vida. Incluir a orientação sexual no cotidiano escolar é fundamental para a formação completa do indivíduo, necessidade tão divulgada pela escola.

Que a escola é o espaço ideal para o desenvolvimento e reflexão sobre o tema não há dúvidas. Ambiente de descobertas, ensino, novidades, informações e colegas da mesma faixa etária. Mas quais obstáculos dificultam ou impedem essa prática? Conhecê-los, talvez, seja o início da saída do problema. Primeiro, é importante enfatizar a necessidade da sexualidade humana ser estudada com abordagem multidisciplinar, já que vários fundamentos, biológicos, sociais, filosóficos, psicológicos, antropológicos e até econômicos estão ligados a ela. Porém, na maioria das vezes, o professor se sente incapaz de conduzir o assunto através de uma abordagem que inclua todas as fundamentações necessárias, resultado de formação pessoal ou profissional insuficiente.

Segundo, pela dificuldade de visualizar uma metodologia adequada ao tema. O professor, por razões diversas, ou mesmo por suas idiossincrasias particulares, não consegue utilizar-se de uma técnica fundamental: a espontaneidade para abordar e discutir um tema que é natural na vida de qualquer indivíduo, mesmo que em diferentes situações, experiências e repertórios. É fundamental que essas dificuldades sejam sanadas. Devemos pensar na orientação sexual como um tema urgente e consideravelmente relevante para crianças e adolescentes. Precisamos pensar na orientação sexual como um trabalho contínuo e regular em todas as séries do ensino fundamental. Nunca é cedo ou tarde demais para abordar o tema.

Tal orientação não deverá, como tantas vezes se imagina, ser uma simples distribuição de informações, a esmo. Certamente, palestras sobre os mais diversos aspectos que envolvem o tema (aparelho reprodutor, DST, aborto, gravidez, etc) são indispensáveis. Além de informações, de ‘ouvir’, os alunos precisam de formação, que sejam estimulados a falar do assunto com espontaneidade e naturalidade. Preconceitos e valores sociais arraigados impedem que os indivíduos entendam a sexualidade como algo natural. É fundamental estarmos prontos para ouvir nossos alunos, sem preconceitos, pudores (sociais) ou mistificações, para podermos, assim, superar esse novo desafio educacional.

A autora, Adriana Branco Folkis, é professora do ensino fundamental, graduada em psicologia e pedagogia pela Universidade do Sagrado Coração de Bauru