A conclusão da reforma da ponte Ayrton Senna, interditada desde janeiro de 2003 devido a problemas estruturais, será financiada com parte dos recursos que a Prefeitura Municipal de Bauru repassa mensalmente ao Poder Legislativo. O presidente da Câmara Municipal, vereador Toninho Garmes (PSDB), anunciou ontem a devolução antecipada de R$ 200 mil, destinados ao término da obra.
O Legislativo bauruense recebe, mensalmente, cerca de R$ 345 mil da prefeitura. No final do ano, os recursos que não são utilizados pela Casa retornam aos cofres do Executivo. “Fizemos um caixa que nos permite repassar esses R$ 200 mil de forma antecipada. Esperamos que a reforma da ponte seja finalmente concluída, porque esse é um problema que aflige a todos nós”, destacou Garmes.
O prefeito Tuga Angerami (PDT) esteve na Câmara para acompanhar o anúncio e explicou que irá contratar uma empresa que terá a responsabilidade de apontar o que ainda precisa ser feito na ponte. A reforma foi iniciada em abril do ano passado e consumiu R$ 258 mil, mas somente as fundações foram recuperadas até o momento.
Tuga antecipou que o aterro das cabeceiras não utilizará a técnica de envelopamento, que consiste na instalação de camadas de tela sintética como forma de diminuir o impacto que o peso da terra provoca nas paredes da ponte. Ele argumentou que o preço do material, orçado em R$ 280 mil, tornaria a reforma muito cara.
Segundo o secretário municipal de Obras, Leandro Joaquim, o estudo que será encomendado pela prefeitura analisará se o mais indicado é a utilização de aterro armado ou com solo cimento. Dessa forma, o custo do serviço será reduzido para aproximadamente R$ 90 mil.
Joaquim preferiu não fazer nenhuma previsão para o fim das obras. A empresa responsável pela confecção do laudo será contratada por meio da modalidade carta-convite, adotada para licitações com custo inferior a R$ 80 mil. A concorrência pública deve contar com quatro participantes e a previsão da prefeitura é gastar R$ 15 mil com a elaboração do estudo.
Segundo o secretário, o laudo também irá avaliar uma diferença de prumo de cinco a 12 centímetros verificada na ponte. “Queremos saber se é uma falha de construção ou se ele surgiu em decorrência dos problemas que a estrutura apresentou”, destacou.
Joaquim acredita que a superestrutura da ponte não precisará receber reforço, mas ressaltou que o estudo técnico dará a palavra final. O secretário observou que as normas técnicas sugerem que uma passagem desse tipo deve suportar 45 toneladas de carga. No caso da Ayrton Senna, essa capacidade seria de 72 toneladas.
A ponte liga o Distrito Indutrial 1 ao Núcleo Mary Dota e foi inaugurada em setembro de 2000. A Tofer Engenharia recebeu, na época, R$ 217 mil pelo serviço. Pouco mais de dois anos depois, a passagem apresentou rachaduras que levaram à sua interdição.
Garmes é autor de uma ação civil pública que pede o ressarcimento dos valores gastos na obra. No processo, figuram como reús integrantes do governo Nilson Costa e a empresa responsável pela construção.
Repercussão
A devolução antecipada de R$ 200 mil para a prefeitura foi elogiada por Tuga. “Bauru está dando um exemplo de diálogo em busca da solução de problemas. O presidente Garmes tem estabelecido pontes e se transformou em um construtor de harmonias”, declarou.
Dez vereadores também utilizaram a tribuna da Casa para comentar o repasse dos recursos. Eles fizeram rasgados elogios a Garmes, que se estenderam por quase uma hora. “Em mais de 20 anos de mandato, é a primeira vez que eu acompanho a devolução antecipada de verbas orçamentárias antes do final do exercício”, observou João Parreira (PSDB).
A Mesa Diretora da Casa elaborou um projeto que autoriza oficialmente a restituição dos R$ 200 mil. A expectativa é que a proposta possa ser votada já na próxima semana, uma vez que dificilmente algum parlamentar tentará barrá-la.