09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O pesadelo venceu a esperança


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Depois do depoimento do publicitário Duda Mendonça na CPI dos Correios não resta outra alternativa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que a saída o mais rápido possível do Partido dos Trabalhadores (PT). Logicamente que não podemos generalizar, mesmo porque tal atitude é absurda, insana e preconceituosa. No entanto, o mandatário da Nação não governa só para os militantes do PT e sim para toda uma sociedade. Nada mais justo do que o filiado ficar e tentar novamente recuperar a imagem e a credibilidade da sigla partidária perante a sociedade. Mas no caso do presidente da República é diferente.

O gesto do chefe do Poder Executivo nacional vir a público e em cadeia nacional pedir desculpas e dizer que foi traído chega a ser até louvável. No entanto, traição é uma palavra forte e um acontecimento imperdoável em qualquer circunstância e requer o imediato rompimento de qualquer tipo de relação. A iniciativa de Lula, politicamente, não teve eficácia nenhuma. Infelizmente, não abandonou o partido e pode perder o cargo por causa dessa cegueira mental e política.

Como já não bastasse a revelação do Duda Mendonça que soou como uma bomba no meio político e na sociedade, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em denúncia à revista Época, afirmou que o PT pagou R$ 10 milhões pelo apoio dos liberais e que o presidente Lula participou indiretamente da negociação. O instituto Datafolha, em recente pesquisa, mostrou que os segmentos que davam apoio a Lula estão se afastando: os pobres, os menos escolarizados e os assalariados. E, num segundo turno com José Serra, o petista perde por uma diferença de 9%.

O sonho há muito tempo tinha acabado. Mas, neste momento, o pesadelo tomou conta daquilo que um dia foi a esperança. O governo petista tentou tardiamente fazer o que deveria ter feito desde o primeiro dia de mandato: priorizar os mais necessitados. No início, picado e anestesiado pela mosca azul do poder, começou a flertar com tudo o que tinha de pior na política brasileira e se transformou na alegria dos banqueiros. Também não alterou em nada o nosso terrível quadro de concentração de renda. Deu no que deu.

As manifestações de rua ainda não estão clamando o "fora Lula". Mas pelo andar da carruagem e pela ingenuidade política do PT, isto a qualquer momento poderá acontecer. O presidente só tem dois caminhos: ou sai do PT ou renuncia. Senão, vai ter o mesmo fim de Policarpo Quaresma. Não digo o mesmo fim de Collor de Melo porque a elite não confia no vice, José Alencar. E a Heloísa Helena pode surpreender em 2006.

PS - Os conselhos municipais em Bauru viraram cabide para oportunistas e a maioria deles não representa de fato os anseios da população. Muita filosofia e pouca ação. E os representantes são sempre os mesmos, salvo as exceções.

Pedro Valentim