08 de julho de 2026
Bairros

Ar seco aumenta sensação de calor

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 3 min

Há sete anos, o semáforo da rua Gustavo Maciel com a avenida Duque de Caxias é o ponto de trabalho do autônomo Alexandre Silva Rodrigues. Embaixo de sol, ele vende carregadores de baterias e protetores solar para carros. Mesmo acostumado ao trabalho ao ar livre, ele precisou de chapéu de cerca de 70 centímetros de aba para combater o calor dos últimos dias. Ontem, por exemplo, a peça nada discreta o protegeu dos 30,8 graus e da umidade do ar de 20% registrados pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) de Bauru. A falta de chuvas e ventos fracos tornam a sensação de calor ainda maior.

“No meio do dia está ficando insuportável”, conta o autônomo. É neste horário do dia que o IPMet registra as temperaturas mais altas. Neste mês, as médias à tarde estão em torno de 28,5 graus, índices parecidos com os de anos anteriores. O recorde do mês foi no último dia 14, quando o instituto marcou 31,6 graus. A maior nesta época, porém, foi ano passado, quando chegou aos 34,2 graus. Já as mínimas, segundo o meteorologista Adelmo Correia, estão acima da média dos anos passados e ficam em torno de 14 graus. Na madrugada de anteontem, a mínima chegou a 17,2 graus.

Os 20% de umidade relativa do ar registrados ontem e na última semana são os menores deste inverno, mas equivalentes aos anteriores. O índice refere-se à quantidade de vapor na atmosfera e, neste patamar, deixa a cidade em estado de atenção, de acordo com as normas estabelecidas pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Durante o dia, de acordo com os meteorologistas do IPMet, a umidade do ar ideal seria de pelo menos 50%. “Nesta época temos o predomínio da massa de ar seco e um maior número de dias consecutivos sem chuvas”, explica Correia.

Apesar das explicações e dos índices estarem de acordo com as características da cidade, quem trabalha na rua sente os reflexos da falta de umidade. “Agora está pegando mais. O calor é forte e seca a garganta. Cansa bem mais”, lembra um leiturista dos Correios, que não quis se identificar. A meteorologista Zildene Emidio explica que a falta de chuvas torna o clima mais seco, aumentando a sensação de calor. “Está quente e não tem circulação de ar (vento). As temperaturas não estão tão altas, o ar que está mais seco”, afirma.

Como conseqüência, além da garganta seca, nariz e olhos irritam com mais facilidade. Casos de alergia e viroses aumentam nesta época. Para evitar a desidratação, especialistas orientam cuidados (veja abaixo).

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Cuidados com a baixa umidade

Entre 20 e 30% - Estado de atenção

• Evitar exercícios físicos ao ar livre entre 11h e 15h

• Umidificar o ambiente através de vaporizadores, toalhas molhadas, recipientes com água e irrigação de jardins

• Sempre que possível permanecer em locais protegidos do sol, em áreas vegetadas

Entre 12 e 20% - Estado de alerta

• Observar as recomendações do estado de atenção

• Suprimir exercícios físicos e trabalhos ao ar livre entre 10h e 16h

• Evitar aglomerações em ambientes fechados

• Usar soro fisiológico para olhos e narinas

Abaixo de 12% - Estado de emergência

• Observar as recomendações para os estados de atenção e de alerta

• Determinar a interrupção de qualquer atividade ao ar livre entre 10h e 16h como aulas de educação física, coleta de lixo, entrega de correspondência, entre outras

• Determinar a suspensão de atividades que exijam aglomerações de pessoas em recintos fechados como aulas, cinemas, entre outras, entre 10 h e 16h

• Manter umidificados os ambientes internos, principalmente quartos de crianças, hospitais, entre outros

Fonte: Centro de Pesquisas Meteorológicas Aplicadas à Agricultura da Unicamp