São Manuel - Representantes da Usina São Manuel e de uma parte dos trabalhadores da empresa entraram em acordo no final da noite de ontem após greve que durou quase dois dias. A informação é do integrante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Éverton Rodrigues de Matos.
Segundo o sindicalista, a empresa concordou em pagar todos os direitos de cerca de 550 trabalhadores rurais que atuam há pelo menos quatro meses e meio na usina. A maioria deles veio do Norte de Minas Gerais. A empresa possui, atualmente, cerca de 2 mil funcionários.
O acordo prevê a recisão do contrato de trabalho dos mineiros, com o pagamento do aviso prévio, da multa de acordo com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e de 80% do abono referente às metas cumpridas pelos trabalhadores, além da revisão das medições do corte de cana que provocaram divergências entre patrões e empregados.
A usina também se comprometeu em pagar a viagem de volta dos trabalhadores mineiros à sua terra natal e ressarcir o dinheiro que eles pagaram pela passagem quando vieram para São Manuel. Em função da greve, foram acionados o Ministério Público do Trabalho e a Subdelegacia do Trabalho de Bauru para fiscalizar as condições de trabalho na Usina São Manuel.
Em um comunicado à imprensa, dirigentes da CUT e da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp) informaram que as condições de moradia dos 550 trabalhadores migrantes eram precárias. Segundo a nota, os alojamentos da Fazenda Cantilho não têm as mínimas condições de higiene, o que estaria comprometendo a saúde dos trabalhadores. Eles ainda cruzaram os braços, segundo os sindicalistas, também em função da redução de mais de 50% no salário provocada por divergências no pagamento de abono e na medição da cana cortada.
A quantidade de trabalhadores parados nesses dois dias divergiu de acordo com a fonte. Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), subsede de Bauru, a paralisação atingiu 500 trabalhadores. Pelas contas do gerente agrícola da empresa, Marcelo Bessa, 180 trabalhadores cruzaram os braços. De acordo ele, a paralisação não afetou a produção da usina. Para o gerente, os alojamentos estão em perfeitas condições. Prova disso, segundo ele, são as inspeções feitas pelo Ministério do Trabalho, que não teriam apontado irregularidades. Por serem trabalhadores vindos de outro Estado, é obrigação da empresa fornecer alojamento.