09 de julho de 2026
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Desenvolver a mente


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É muito comum confundir-se a mente como o cérebro. Há animais que têm o cérebro muito parecido com o do homem, mas não têm a mente, capacidade superior de criar, entender, aperfeiçoar-se e evoluir. Há seres humanos que são piores que os animais, alguém diria. É verdade. Mas as mentes desses seres atrasados estão ali, passíveis de serem conhecidas, utilizadas e aperfeiçoadas.

Platão escreveu há séculos que a alma humana tem uma parte inferior e uma superior, caso contrário não existiria a possibilidade do autocontrole ser realizado através da ingerência desta natureza superior sobre a inferior. O que Platão não disse é que essa parte superior da alma, ou da mente, é uma potencialidade, existe e não existe, pode e precisa ser desenvolvida a partir da mente inferior, que também é pouco usada e conhecida.

Quando Sócrates celebrizou a inscrição milenar do templo de Delfos que exortava ao conhecimento de si mesmo, quis significar que aquele conhecimento era o da mente humana. Mas, afinal, o que é a mente? É física? É metafísica?

O escritor e pensador González Pecotche pondera que a mente é um órgão psicológico que reside no cérebro, manifesta-se através deste aparato físico, e que é possível desenvolvê-la conscientemente, a partir da própria vontade e não apenas circunstancialmente por exigências materiais e intelectuais no processo de vida que se inicia na infância e culmina na maturidade. Há pessoas com idade avançada e mentes brilhantes, lúcidas, capazes e ativas. A mente desenvolve-se na atividade que pode ser superior, relacionada ao aperfeiçoamento pessoal, despertando zonas inertes desta mentalidade.

Uma outra explicação analógica sobre a mente diz que ela é o espaço onde os pensamentos nascem e se desenvolvem. Isto significa que cuidar da mente implica cuidar dos pensamentos que ali se movimentam, muitas vezes, provenientes de mentes exóticas cujos cérebros de há muito se decompuseram sob as ancestrais lajes das tradições, verdadeiros cemitérios das idéias, como muito bem observou o escritor argentino. A mente humana é um fragmento da divina. Conhecê-la e aperfeiçoá-la é a tarefa do momento, desta nova era que se inicia.

O autor, Nagib Anderáos Neto, é articulista