08 de julho de 2026
Auto Mercado

Trânsito é válvula de escape para estresse

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Não é difícil notar que as pessoas reagem de modo diferente diante das situações no trânsito e que as normas, regras e punições aplicadas às pessoas nem sempre surtem o efeito desejado, sendo eficazes para alguns e não para outros. “O estado físico e psicológico de cada um interfere no comportamento frente a um mesmo estímulo. Isso é o estresse, que significa pressão, sendo descarregado pela válvula de escape chamada trânsito”, salienta a psicóloga bauruense Daniela Gibin Duarte.

Para ela, a presença do estresse é fato consumado atualmente no trânsito. “Quando o indivíduo entra no veículo, já carrega consigo as pressões do dia-a-dia, notadamente os problemas pessoais, familiares e profissionais. E o trânsito, com seus congestionamentos, ruas estreitas, pistas esburacadas e motoristas mal educados, só faz esta pressão aumentar, o que pode ser a gota d’água que faz o copo transbordar em um acidente de grandes proporções”, sustenta.

Entre as justificativas para os comportamentos agressivos ao volante, Duarte considera que, dentro de seus veículos, as pessoas sentem-se fortes e necessitam exteriorizar essa imagem. “Elas buscam no carro a auto-afirmação para compensar a insegurança e o sentimento de inferioridade”, avalia a psicóloga, que separa os motoristas em três níveis de estresse: alarme, resistência e exaustão.

O primeiro é o mais “branda” e seus sintomas característicos são ansiedade, aumento súbito de motivação, insônia situacional, desempenho irregular e perfeccionismo. Já o de resistência é considerado o nível intermediário do estresse e costuma manifestar-se através de problemas de memória e atenção, sensação de flutuação, hipersensibilidade emotiva, irritabilidade excessiva e perda do senso de humor.

No entanto, é o de exaustão mais perigoso. Caracterizado pela insônia ou excesso de sono, agressividade alta, apatia ou depressão, é nesta fase em que o motorista torna-se mais suscetível aos estímulos externos e vulnerável aos acidentes. “As pessoas que se enquadram nesse estágio mais avançado possuem a doença da pressa”, sustenta.