Li, aqui nessa Tribuna, em 23/8, duas cartas com os títulos: “A corrupção vence a esperança” e “O pesadelo venceu a esperança”. Como não concordo com o que está embutido em ambas, resolvi utilizar um atualíssimo slogan de D. Pedro Casaldáliga, para expressar o que acabo de incorporar de imediato à minha prática política: “A esperança vence a decepção”.
A esperança sempre esteve presente em tudo o que faço. Não será por causa de mais essa decepção que vou parar, que vou acreditar na derrocada de tudo aquilo que idealizei e lutei como algo não mais possível de ser realizado. Toco o barco sempre em frente, ainda com bastante disposição, pois temos muita utopia ainda não realizada. Apanhamos novamente, mas busco forças lá no fundinho e sigo em frente. Ainda mais porque as aves de rapina, que também já nos sugaram no passado, sobrevoam os céus, com asas de anjos falsificadas, fazendo de tudo para voltar a tomar conta de nossas vidas.
Estamos perdendo mais essa, mas não perdemos a guerra. O milagre do novo País não veio dessa vez e, com certeza, não virá com a repetição de erros do passado. Os bem pensantes querem nos fazer acreditar que não há mais esquerda e direita, mas não é o que percebo, pois onde existe esse abismo entre riqueza e miséria, com certeza, a dicotomia persistirá “ad eternum”. O que fica cada vez mais evidente é que a corrupção se tornou algo intrínseco das transações capitalistas. O crime é inevitável no capitalismo. Sou daqueles que ainda acredita que não existe alternativa para o sistema de livre mercado, para o capitalismo selvagem e, onde existir esse imenso fluxo ilegal de dinheiro, a corrosão será mais do que natural. Enquanto o foco dessa cruel transferência de dinheiro dos pobres para os ricos persistir, não teremos salvação. E, só por isso, a luta das esquerdas resistirá, sob o símbolo da esperança até nossos sonhos tornarem-se realidade.
Após a limpeza generalizada, que deverá acontecer, algo vai sobrar e será com isso que seguiremos adiante. Basta de acordos espúrios e política vulgarizada. Devemos exigir, cada vez mais, uma reforma política que, inclusive, exija fidelidade partidária e o fim da opção monetarista feita pelos últimos governos. Minha bandeira continua a mesma e desfraldada, pois minha caminhada está longe de se encerrar.
Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2