Estatística realizada pelo Ministério da Saúde aponta que aproximadamente 10% das mortes ocorridas na região de Bauru no ano passado foram registradas como “Causas Mal Definidas”. O alto índice de imprecisão preocupa especialistas. Segundo eles, a indeterminação da causa dessas mortes dificulta a definição de estratágias e campanhas preventivas.
A diretora técnica de ações programáticas da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Cleise Mei de Souza, salienta que as mortes por “Causa Mal Definida” representam a quarta causa de morte nas estatísticas referentes aos 38 municípios abrangidos pelo órgão.
Dos 6.619 óbitos registrados em 2004 pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, 636 receberam essa classificação.
“É um indicador que está muito acima dos patamares do restante do Estado (...) Com essa classificação, não tenho como saber qual foi a causa real dessas mortes. E não sabendo a causa real, não dá para levantar os fatores de risco, nem para estabelecer ações estratégicas que melhorem essa situação”, comenta.
A enfermeira da Divisão de Vigilância Epidemiológica do município, Solange Nardo Marques Cardoso destaca que as estatísticas de mortalidade são elementos fundamentais para estudos epidemiológicos e para a administração de serviços de saúde.
“Se os registros apontam a causa da morte de forma bem definida, eles nos dão uma base da dados mais fidedigna para avaliar do que mais se morre no País ou em determinada região. Se eu tenho um dado epidemiológico correto, fica mais fácil intervir para que outros não morram daquela mesma patologia”, reforça.
Na prática, esses quase 10% de causas indefinidas poderiam, por exemplo, inverter a ordem das principais causas de morte em Bauru. Nessa hipótese, ao invés de investir mais na prevenção do câncer, o município poderia ter de investir mais em ações contra as doenças respiratórias.
Sanando falhas
De acordo com o titular do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) e professor da Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru, Ruy Laurenti, a maioria dos casos classificados como “Causa Mal Definida” deve-se ao preenchimento inadequado de atestados de óbito.
“Em primeiro lugar porque os médicos não aprendem bem como fazer isso. Todas as escolas deveriam preparar o aluno para isso, mas poucas ensinam. E quando ensinam, fazem isso nos primeiros anos do curso, quando o universitário ainda não tem formação clínica. Mais tarde, quando recebem a formação clínica, esses alunos já esqueceram a foram correta”, opina.
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Palestra informativa
Para tentar reverter esse quadro de alto índice de mortes de causas mal definidas, a Direção Regional de Saúde (DIR-10), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Bauru, a Universidade do Sagrado Coração (USC) e a Associação Paulista de Medicina realizam, na próxima semana, a palestra “Informação em saúde: o atestado de óbito, aspectos médicos e legais”.
Segundo o médico Ruiy Laurenti, um dos palestrantes, juntamente com a professora Maria Helena Jorge (FSP/USP), a proposta é discutir a importância do correto preenchimento de atestados de óbito tanto pelo aspecto epidemiológico quanto pelos aspectos médico e jurídico. “Preencher corretamente os atestados é um item previsto, inclusive, no Código de Ética Médica”, adverte.
A diretora técnica de ações programáticas da DIR-10, Cleise Mei Souza afirma que o evento é gratuito e é voltado a médicos e gestores de saúde das redes pública e privada dos 38 municípios abrangidos pela regional.
• Serviço
A palestra “Informação em saúde: o atestado de óbito, aspectos médicos e legais” será realizado nos dias 1 e 2 de setembro, na Casa do Médico de Bauru. A entrada é gratuita, mas é preciso confirmar presença pelo telefone (14) 3235-0219 ou pelo e-mail prog.dirx@ itelefonica.com.br.