08 de julho de 2026
Geral

Seminário discute uso do reservatório

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Nos dias 18 e 19 deste mês, Brotas sediou o Seminário “Aqüífero Guarani – Manejo sustentável e controle social”, que contou com a participação de representantes governamentais, ambientalistas, pesquisadores e imprensa. O evento foi uma realização da Centrovias em parceria com o Movimento Rio Vivo, uma das ações em contrapartida da empresa para obter Licença de Implantação da Rodovia, que está sendo duplicada.

Durante os dois dias, o Centro de Estudos do Universo (CEU) de Brotas abriu seu espaço para a discussão de vários temas relacionados ao aqüífero, com a presença de representantes da cidade e região de diversas áreas, principalmente de entidades governamentais e ambientalistas.

O professor José Galizia Tundizi, especialista em recursos hídricos, abordou a importância de se proteger o aqüífero Guarani. Em seu ponto de vista, o País conta com legislações específicas, mas falta o esclarecimento dos municípios sobre o reservatório de água subterrâneo. â€œÉ necessário um sistema de reflorestamento de grande extensão em toda região do aqüífero para contribuir para sua recarga”. disse.

Tundizi alerta para a necessidade do tratamento de esgoto e para o destinação adequada do lixo, pois são fontes de contaminação constante. “Também é preciso um sistema de monitoramento do aqüífero integrado. O custo-benefício não é tão caro”, acrescenta.

A escassez de informações sobre o aqüífero Guarani estimulou os biólogos paranaenses Nadia Rita Boscardin Borghetti e José Roberto Borghetti e o geólogo Ernani Francisco da Rosa Filho a produzir o livro “Aqüífero Guarani – a verdadeira integração dos países do Mercosul”, lançado em 2004. “Nosso objetivo foi reunir as fontes de informação sobre o aqüífero e transformá-las em uma linguagem mais acessível”, explica a autora principal da obra.

“Tudo começou quando estivemos em Foz do Iguaçu (PR) e lá vimos um hotel que usava água do aqüífero Guarani. Um amigo geólogo nos alertou da importância e decidimos fazer o livro. Na pesquisa, conhecemos o professor Ernani.” (Saiba mais sobre a publicação no site www.oaquifero guarani.com.br)

O geógrafo Mario Cesar Mantovani, diretor de Relações Internacionais da Fundação SOS Mata Atlântica, abordou, durante o seminário, a necessidade da sociedade civil se organizar e participar da gestão dos recursos hídricos. Para ilustrar, ele citou o exemplo da entidade da qual faz parte e que hoje atua em todo o Brasil, com projetos voltados para a recuperação da Mata Atlântica, com recursos de mais de 100 mil associados.

“Hoje, no Brasil, é desmatado um campo de futebol de floresta a cada quatro minutos. A sociedade pode interferir, mas é necessária uma mobilização responsável.” Mantovani chama a atenção, porém, dos municípios lembrando das responsabilidades com a gestão ambiental, principalmente na região de Brotas, onde é área de recarga do aqüífero Guarani. “Não pode perder a idéia de bacia hidrográfica”, acrescenta.

A última apresentação no seminário foi de Julio Thadeu Silva Kettelhut, diretor de Projetos e Articulação da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, que apresentou o projeto Aqüífero Guarani, promovido em conjunto por quatro países, com recursos internacionais.

No final do seminário, os participantes foram reunidos em grupos temáticos de discussão e elencaram diversas sugestões, que deverão ser encaminhadas a setores governamentais e divulgadas para a população. Um dos pontos apontados foi a necessidade de uma campanha de divulgação do aqüífero Guarani e a formação de um banco de dados integrando pesquisas, dados técnicos e informações.

(Saiba mais no site www.ana.gov.br/guarani)

Curiosidades

Sobrevivência - A proporção da água no corpo humano é a mesma que no planeta Terra: 71%. O homem pode passar até 40 dias sem comer, mas só três sem beber água. Em 72 horas, quem não consome líquidos perde 13 litros de água do corpo e morre.

Desperdício - O preço médio da água encanada no mundo é de US$ 1,8 por metro cúbico. Para cada copo de água ingerido, são necessários outros dois para lavá-lo. Uma mangueira aberta por 30 minutos, por exemplo, libera 560 litros.

Recarga - Na Cidade do México, a retirada da água está afundando o solo e causando rachaduras em construções. Na Arábia Saudita, 75% da água consumida vêm do subsolo. Já Israel negocia com a Turquia a importação de 50 milhões de metros cúbicos de água potável por ano.

Irrigação - A agricultura não apenas prejudica a qualidade da água, mas consome mais desse recurso do que qualquer outro segmento em quase todos os países. No Brasil, responde por 59% de todo o consumo.

Fonte: http:/an.uol.com. br/anverde/especial4