09 de julho de 2026
Regional

Economia da cidade não vive só da cana

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A agroindústria canavieira ainda é a atividade que mais gera empregos e impostos para o município de Lençóis Paulista. Mas nem só da cana vive a economia da cidade, que nos últimos anos vem se consolidando como parque industrial diversificado, com grandes empresas de outros setores.

A cidade produz biscoitos, vinagre, macarrão, fios para tecelagem, carne bovina, papel, celulose e recicla óleo lubrificante usado nos automóveis e caminhões. São cerca de 112 indústrias, 1.365 estabelecimentos comerciais, 2.016 prestadores de serviço.

Grande parte das empresas que move a economia local nasceram entre 30 e 50 anos atrás e hoje estão em plena expansão. Algumas mudaram de dono. Exemplo disso é a Zabet, que hoje pertence à Adria e emprega cerca de 500 pessoas.

O Grupo Lwart/Lwarcel, com três empresas, aparece como um dos maiores empregadores, oferecendo 1.300 empregos diretos e outros 700 indiretos. Nasceu há 30 anos e começou fazendo o refino de óleo lubrificante usado. Ampliou e instalou uma fábrica de celulose, que nos últimos três anos dobrou a produção, além da Lwart Proasfar Química, que produz impermeabilizantes.

No ramo de papel, especificamente na fabricação de papéis para embalagens, a Lutepel se destaca com a produção de 1.500 toneladas/mês no ano passado. Seu produto é usado em mais de 100 tipos de embalagens no Brasil, na América do Sul e Europa. Este ano a empresa está investindo R$ 15 milhões para ampliar a produção.

O frigorífico Frigol é outro exemplo de empresa que ao longo do tempo se consolidou. A família, segundo Florindo Paccola, tinha um açougue na cidade e passou a abater o gado. “Eles abatiam uma cabeça de gado por dia.”

O simples matadouro se transformou em uma grande empresa nas mãos dos filhos do fundador, lembra Paccola. “A nova geração assumiu e administrou muito bem. Com conhecimento técnico eles transformaram o simples matadouro em um dos grandes no Estado de São Paulo.”

No ano passado , a empresa ampliou os setores de congelamento e estocagem e neste ano construiu um novo setor de desossa com o objetivo de aumentar a produção para 3.000 toneladas de carne bovina por mês. Com a conclusão da ampliação, prevista para outubro deste ano, o frigorífico deverá ter em torno de 750 funcionários.

Na cidade está sendo construído um shopping, que deverá ser concluído a curto prazo. Mas mesmo assim, segundo Paccola, Bauru continua sendo referência na hora das compras. “Aqui tem um comércio forte e há estabelecimentos que atendem as necessidades, porém, a população ainda recorre a Bauru para fazer determinadas compras.”

Mas nem sempre foi assim. Por volta de 1950, de acordo com Paccola, quando Lençóis Paulista tinha aproximadamente de 20 mil a 30 mil habitantes, a população, com raras exceções, saía para comprar em Bauru. “A vida era mais simples e a maioria das pessoas trabalhavam na lavoura.”

Para o prefeito José Antonio Marise, o distrito industrial está crescendo. “No meu primeiro mandato fizemos a concessão de 40 novos lotes para instalação de pequenas e médias empresas. Estamos adquirindo mais 5 alqueires para fazer uma ampliação.”

Ele lembra que o distrito industrial recebeu investimentos na casa de R$ 1 milhão. “Para regularização da rede de esgoto, que durante 20 anos permaneceu sem. Somente depois da regularização é que os proprietários puderam obter a escritura dos terrenos.”

O prefeito ressalta que nenhuma indústria saiu da cidade e grande parte delas está sendo ampliada. “Não tivemos casos de perda de indústrias de nossa cidade.”

Fato marcante

O Clube Atlético Lençoense também faz parte da história da cidade, na opinião de Florindo Paccola. “Em 1946, 47, o clube contou com jogadores de renome nacional, como Didi e Bertolucci, que depois foi goleiro do São Paulo Futebol Clube. O Didi jogou dois ou três anos aqui. Mesmo depois de ter ido embora, ele sempre citava a cidade como sendo berço de sua vida como jogador profissional.”