Baseada no equilíbrio entre corpo, mente e energia, a acupuntura vem conquistando cada vez mais adeptos no Brasil. Em Bauru, a procura pela técnica terapêutica de origem chinesa (leia mais no texto abaixo) praticamente dobrou nos últimos anos, segundo clínicas e consultórios médicos do ramo.
“A população hoje quer uma vida mais saudável e deseja ficar longe dos remédios, que na maioria das vezes são caros e podem provocar efeitos colaterais. O grande trunfo da medicina chinesa é ser paleativa e preventiva”, aponta a médica acupunturista Mara dos Santos Ueda.
O terapeuta Aldeir Amarilha, conhecido como Pancho e que há mais de 20 anos atua na área, concorda. “As pessoas que têm o hábito de fazer acupuntura podem evitar uma série de doenças, como dores, rinites, sinusites e bronquites”, detalha.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a acupuntura pode tratar 40 doenças, mas os chineses garantem que ela abrange 300 enfermidades. A principal função da acupuntura é regular o funcionamento do organismo por meio do equilíbrio energético. A técnica utiliza agulhas para estimular pontos específicos do corpo que estariam obstruindo o fluxo de energia, explica Ueda.
“O próprio paciente faz seu ‘remédio’ porque seu organismo é estimulado a produzir endorfina e serotonina”, diz a médica. Segundo ela, oficialmente existem 365 pontos de energia, mas os orientais descrevem aproximadamente 1.000 pontos.
Além de ser natural, a acupuntura não tem contra-indicações, promove melhora rápida das dores e possui comprovação científica, entre outras vantagens, aponta Ueda. Porém, por ser uma prática invasiva (uso de agulhas), a técnica pode ser sinônimo de desconforto para alguns. “A pessoa deve sentir a entrada da agulha porque ela entra em uma terminação nervosa. Mas é uma dor perfeitamente suportável e o material é muito fino”, afirma.
Tratamento
Mesmo tendo um pouco de medo das agulhas, a doméstica Rosimeire Júlio Prudêncio não teve dúvidas na hora de escolher a acupuntura para tratar de uma infecção na língua. “Tentei de tudo: desde comprimidos e remédios diferentes até gargarejo. Mas nada resolvia”, conta. Há quatro meses, iniciou tratamento com agulhas.
“Era um caso raro, não havia diagnóstico, mas pode até ter sido provocado por estresse. A língua da Rosimeire estava toda fissurada, cheia de feridas. Após dez sessões, as feridas desapareceram”, detalha Pancho, que cuidou da paciente.
Segundo o terapeuta, as doenças ligadas à ansiedade, como depressão, têm respostas rápidas ao tratamento com agulhas. “Tenho um paciente de 24 anos que está tratando de síndrome do pânico com acupuntura”, conta.
O aposentado Oscar Zulato é adepto da medicina chinesa. “Machuquei o braço e estava com muitas dores, não podia nem levantá-lo. Estou fazendo aplicações e agora ele está melhor”, conta.
Para livrar-se das dores nas costas e na coluna, a cabeleireira aposentada Terezinha de Lourdes Ramos também apostou na acupuntura. “Estou na quarta sessão e já senti melhora. A vantagem é que não preciso tomar remédios que agridem o estômago. Além disso, após a aplicação, saio leve e relaxada”, garante.
Há diferentes tipos de acupuntura. Pancho explica que as mais tradicionais são a sistêmica, feita com agulhas de aço inox que podem ser aplicadas em pontos de praticamente todo o corpo; e a auricular, na qual são estimulados pontos da orelha utilizando pequenos círculos de prata ou ouro, sementes de mostarda ou agulhas muito finas que ficam presas à pele com a ajuda de um esparadrapo.
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História
Criada na China, a acupuntura é utilizada há cerca de 5.000 anos no Oriente. A palavra acupuntura tem origina do latim, sendo que “acus” significa agulha e “punctura”, puncionar. Porém, segundo estudos, acupuntura é uma tradução incompleta da palavra chinesa Jin Huo (ou Tsen Tsio) que significa metal e fogo.
Seguindo esse princípio, os pontos de acupuntura distribuídos pelo corpo podem ser puncionados com agulhas ou aquecidos com o calor produzido pela queima da erva Artemisia vulgaris, (mais conhecida como moxabustão). Os pontos também podem ser estimulados por ventosas, pressão, estímulos elétricos ou laser.
No Brasil, a acupuntura foi reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 1995 e pela Associação Médica Brasileira (AMB) em 1998. Atualmente, a técnica é desenvolvida em algumas praças de saúde pública, entre elas o Hospital das Clínicas de São Paulo. Este ano, a Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura (SMBA) abriu edital para prova que confere título de especialista em acupuntura.
Da Redação