08 de julho de 2026
Geral

Fumaça e poeira ‘encobrem’ Bauru

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Uma cortina formada por fumaça e poeira encobriu Bauru ontem, transformando o característico céu azul da cidade em um dia acinzentado, típico de São Paulo. Das regiões altas, parecia uma chuva leve que se aproximava, mas a nuvem continha apenas partículas de poeira e fumaça que ficaram suspensas no ar por causa da inversão térmica, fenômeno meteorológico que ocorre quando uma massa de ar quente passa sobre o ar frio formando uma capa que impede que os gases poluentes se dissipem para camadas mais altas da atmosfera.

O vento forte, que por volta das 12h10 chegou a 51 quilômetros por hora em Bauru, ajudou a aumentar a nuvem, explica o meteorologista José Carlos Figueiredo, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet). “O vento levantou partículas de poeira do solo que, por causa da inversão térmica, ficaram suspensas junto com a fumaça. Hoje (ontem) o céu ficou assim porque, desde o Mato Grosso do Sul até o Estado de São Paulo, a camada de ar quente está mais baixa. As partículas em suspensão que estariam no alto, estão mais próximas da superfície da terra”, ressalta.

Do 15.º andar de um prédio na Vila Universitária, onde mora, a vendedora Eliana Aparecida Alves conta que viu a cidade envolta em uma nuvem branca desde a manhã.

“Quando acordei já estava assim, mas depois piorou. Da minha janela vejo o horizonte, mas hoje não consigo enxergar nada além da Rondon (rodovia Marechal Rondon)”, frisa.

Alérgica à fumaça, Alves conta que estava respirando com dificuldade. “Estou sentindo uma pressão no peito além de estar rouca”, descreve ela que mudou-se de São Paulo para Bauru há sete anos e avalia que a poluição por fumaça tem aumentado. “Este ano está pior. Em São Paulo, eu não sentia nada. Meu médico acha que eu já estava imunizada à poluição de lá, ao dióxido de carbono, mas sofro com a fumaça das queimadas daqui. Minha rinite alérgica está atacada e tenho dor de cabeça”, completa.

Na rua, as pessoas também sentiam os reflexos da nuvem de poeira e fumaça que envolveu a cidade. “O ar está cheirando poeira, difícil de respirar. Quando fez aquela ventania, achei que ia chover, mas só tem fumaça e poeira no ar”, comentou o funcionário público Carlos Barbosa Oliveira.

Apesar do vento forte por volta do meio-dia e da tempestade com granizo na região de Ourinhos ontem à tarde, em Bauru não chegou a chover. Provavelmente por conta das condições do céu na cidade, das notícias do tornado que destruiu casas no Rio Grande do Sul e do furacão que atingiu os Estados Unidos, o Corpo de Bombeiros recebeu várias ligações ontem à noite de pessoas que tinham ouvido falar que um tufão chegaria a Bauru, o que o IPMet descartou.

Para hoje, a previsão do IPMet é de chuvas e trovoadas isoladas ocasionalmente fortes. A temperatura máxima deve oscilar entre 29 e 31 graus. De amanhã a sexta-feira, a tendência é de chuvas e trovoadas.

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Saiba mais

Furacão

Para se formar, precisa de grandes quantidades de ar quente e úmido, em regiões oceânicas tropicais. Quando sobe, o ar quente faz com que o vapor dágua nele se condense. O processo faz com que o ar aquecido se eleve ainda mais. Conforme a liberação de calor prossegue, cria-se uma zona de baixa pressão que continua a atrair o ar quente e úmido. Sob a influência da rotação da terra, o centro da tempestade começa a girar e forma-se o “olho”.

Tufão

A diferença entre um furacão e um tufão é apenas o oceano onde ele se forma: o tufão se forma no Oceano Pacífico norte e o furacão no Atlântico.

Ciclone

Tem uma extensão geográfica maior do que a do furacão, mas os ventos são mais calmos, sem nuvens espiraladas e formação de “olho”. Os ventos sopram para dentro e ao redor deste centro. No Hemisfério Sul giram no sentido dos ponteiros do relógio e no Hemisfério Norte giram contra o sentido dos ponteiros do relógio.

Fonte: Scientific American e Somar Meteorologia