09 de julho de 2026
Articulistas

O que fizemos com a Terra?


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Em nossa sede de progresso, nosso consumismo desenfreado e limitado a beneficiar apenas algo como 800 milhões de pessoas - a Terra tem 6,2 bilhões de habitantes - não percebemos que iríamos pagar um preço que simplesmente não vale a pena, pelos confortos da vida moderna, alguns deles absolutamente dispensáveis. Os alertas sobre o efeito estufa pareciam conversa de ecologista, os chamados “ecochatos”, mas eles estavam certíssimos. O petróleo e outros combustíveis fósseis, até mesmo o gado que expele metano, tudo contribui para o agravamento do efeito estufa, que teve, sim, algo a ver com o tsunami de quase um ano atrás, como influenciou o furacão Katrina, que já causou milhares de mortes.

Nas ruas de Guangdong, China, entram em circulação mais de mil carros novos por dia, 360 mil por ano e o país da bicicleta vai se transformando na nação do automóvel, cada vez mais sedenta por hidrocarbonetos. A natureza não aceita desaforos e tem seus sistemas de controle, como esses cataclismos e agora a assustadora ameaça da gripe aviária, que está a apenas algumas horas de vôo entre a Ásia e o Brasil. Hoje a possibilidade de contágio é muitíssimo maior pela facilidade e rapidez com que as pessoas viajam. As geleiras vão se desfazendo, as neves eternas dos cumes das montanhas já não mais o são e o degelo da Antártida vai diluindo a salinidade dos mares ao Norte, diminuindo a quantidade de peixes. Nós protestamos, o Greenpeace também, mas nem por isso deixamos de dar a partida nos motores de nossos carros todas as manhãs, envenenando um pouco mais a atmosfera. Não nos contentamos mais em viver 70 anos, agora o bom são 80, amanhã será 90.

Com perdão pela disgressão, fugindo ao tema principal, cabe comentar os mil mortos no Iraque, mais por pavor do que pela ação de homens-bomba de fato. Aquela era a paz que Bush buscava? Foi esta a democracia tão precocemente festejada? Em comum com a presente tragédia ecológica, a destruição de vidas. Os dirigentes das nações tentam se precaver contra atentados terroristas e vem um furacão e repete o drama do 11 de setembro.

As ações individuais, salvo aquelas movidas pelo altruísmo, tendem a potencializar o caos, e só. Temos a inacreditável capacidade de destruir o mundo de várias maneiras: lentamente, como agora, através da degradação do planeta ou de uma vez, pela fissão do átomo. Mais uma vez, cabe exaltar a memória de John Winston Lennon, o Beatle que tanto lutou pela paz, de Gandhi e de Einstein.

O autor, Luiz Leitão, é administrador e articulista - e-mail: luizleitao@ebb.com.br