09 de julho de 2026
Geral

Usuários sugerem mudança na saúde

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Dois meses depois da Prefeitura de Bauru ter transformado os prontos-socorros Mary Dota e Ipiranga em unidades básicas de saúde, com remanejamento das equipes médicas para os prontos-socorros Central, Bela Vista e Pronto-Atendimento Infantil (PAI), usuários fizeram uma avaliação e sugerem outra mudança. Eles querem que as unidades do Mary Dota e Vila Ipiranga sejam transformadas em pronto-atendimento e assim passem a funcionar 24 horas por dia com médicos clínico-geral e pediatra para atender casos menos complexos que os encaminhados aos prontos-socorros.

Assinado por nove pessoas - moradores no Mary Dota, Bela Vista e Ipiranga - , relatório com avaliação da mudança no sistema de saúde de Bauru e sugestão de criação de dois prontos-atendimentos foi entregue no Gabinete do prefeito Tuga Angerami (PDT) ontem.

“Ouvimos usuários que relatam que as unidades básicas de saúde do Mary Dota e Ipiranga não estão conseguindo atender a demanda. Para conseguir senha para consulta, eles têm que chegar de madrugada. Eles também estão enfrentando dificuldade para se locomover até o Pronto-Socorro Central à noite e nos finais de semana. Há casos de pessoas que precisam medir a pressão arterial e não têm dinheiro para pagar o ônibus”, relata Vanderlei Antonio de Oliveira, morador do Mary Dota, falando em nome do grupo.

O relatório foi feito após assembléia com usuários das unidades de saúde, que listaram problemas enfrentados. Um deles é referente à viatura do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Após a mudança, ficou estabelecido que uma viatura deve ficar de plantão na unidade do Mary Dota e outra no Ipiranga. “Uma senhora com hemorragia precisou do Samu na unidade do Ipiranga e ela não estava lá. Teve que esperar chegar”, afirma Helena Hinae Akiyoshi, moradora na Vila Ipiranga.

Representando os usuários do PS Bela Vista, Genival Francisco da Silva cobra a descentralização do atendimento na área de saúde, o que ele acredita que é possível conseguir com a transformação das unidades básicas de saúde do Mary Dota e Ipiranga em prontos-atendimentos. “Tomamos como exemplo Londrina. Lá, eles têm quatro prontos-atendimentos. Dois funcionam 24 horas por dia e outros dois 16 horas e atendem os casos não tão graves. Os prontos-socorros recebem só urgência e emergência mesmo. Mas aqui em Bauru, ao invés de descentralizar o atendimento, está ocorrendo o inverso”, frisa.

À espera de análise

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru informou que o relatório elaborado pelo grupo com os pedidos será avaliado oportunamente pela Secretaria Municipal de Saúde. Ao avaliar a reestruturação do sistema municipal de saúde, no mês passado, o médico Aigiro Kamada, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde, explicou que a mudança foi o primeiro passo para a efetivação do modelo de atendimento que a administração Tuga Angerami pretende para a saúde pública da cidade.

“Nos últimos dez anos optou-se por um modelo equivocado de atendimento. Com essas mudanças, já conseguimos melhorar o sistema, mas temos consciência de que ainda há muito a ser feito, como a reestruturação da rede básica, uma das metas desta administração”, diz o médico.

Apesar das alterações, as unidades de urgência e emergência ainda continuam recebendo demanda ambulatorial, comenta ele. “Há picos de atendimentos e quando isto ocorre, registramos tempo de espera. Esse tempo é variável, dependendo das oscilações. No PS Central, por exemplo, o pico de atendimento mais freqüente é registrado sempre às segundas-feiras, quando há muita procura por atestados médicos. Já na pediatria os picos ocorrem logo após o almoço e final de tarde ou início da noite, quando os pais têm disponibilidade de horário para levar as crianças à unidade. No entanto, as prioridades de atendimentos são para os casos de urgência e emergência, daí o tempo de espera”, explica Kamada.