Apesar da nostalgia, o aposentado Sylvio Telles Nunes é pragmático quando o assunto é planejamento urbano: se atualmente a cidade é mal projetada, também era nas décadas anteriores. No entanto, o curso da história pode mudar quando o Plano Diretor do município for concluído (no final do próximo ano) e se for aplicado na íntegra.
Ele é um instrumento normatizador do desenvolvimento da cidade e tem como objetivo definir diretrizes para o crescimento planejado. “Com esses instrumentos, podemos controlar um pouco mais (o crescimento do município), não a vinda das pessoas, mas a maneira como elas vão ocupar o espaço”, explica Maria Helena Rigitano, coordenadora do plano.
De acordo com ela, o recurso poderá evitar que a periferia continue desabastecida de infra-estrutura, em especial drenagem e pavimentação.
“Novos loteamentos não devem sair mais com essa deficiência. O que dá otimismo é ter esses novos instrumentos disponibilizados. O que agente busca é qualidade de vida. O que a gente quer? Uma cidade mais justa para todo mundo? Quer ter um equilíbrio social?”, questiona Rigitano.
Se a resposta for positiva e o poder público conseguir minimizar problemas de urbanização e infra-estrutura, Bauru se manterá como pólo efetivo de atração regional, mesmo que o ritmo de crescimento garanta ao município população de 500 mil habitantes em 15 anos.
Qualidade de vida
A opinião é do economista Reinaldo Cafeo. “Se não, a qualidade de vida vai ser péssima. O que aconteceu nos últimos anos é que Bauru cresceu sem indução”, afirma ele.
Para Cafeo, os novos passos exigem planejamento e as estatísticas devem servir de alerta tanto para o poder público quanto para o setor privado. “Nós já estamos nos encontrando politicamente. Existe um certo consenso de que a cidade precisa ir para a frente. Estamos, hoje, com a inauguração de várias empresas, rede de hotéis vindo”, finaliza.