Imóveis localizados em regiões consideradas “problemáticas” com relação à criminalidade têm seu valor pressionado para baixo. A afirmação é da corretora de imóveis Wânia Porto.
Apesar disso, ela diz que a localização do imóvel num bairro supostamente violento não sugere a possibilidade de grandes negociações de desconto. “O preço já está adaptado ao local e sempre vai haver pessoas querendo morar lá, seja pela proximidade de algum familiar ou do trabalho, seja pelo conhecimento prévio da região”, diz.
Apesar de reconhecer as dificuldades de quem vivencia a violência na própria casa, Porto ressalta que é importante não assustar a população com relação a supostas “regiões perigosas” da cidade. “A violência pode acontecer em qualquer bairro e vem acontecendo em todos”, avalia.
Segundo ela, como a violência está generalizada por toda cidade, a única forma de enfrentar o problema é adotar comportamentos preventivos. “Devemos sempre observar a presença de estranhos nas proximidades, instalar grades e alarmes, avisar a vizinhança sobre viagens. Assaltos só acontecem quando as pessoas ‘baixam a guarda’”, acredita.
A corretora, porém, admite que bairros mais humildes e pobres sofrem com um preconceito inevitável por parte de muita gente que acredita serem estes locais moradia de marginais. “A criminalidade ocorre com mais intensidade em bairros pobres, mas a maioria dos habitantes destes locais é formada por gente honesta que só está lá por uma contingência da vida”, arrisca.
Essa teoria pode ser comprovada pela estoquista que abandonou às pressas a casa que foi assaltada no Jardim da Grama e mudou-se para um bairro com fama de violento.
Após o trauma e, apesar dos enormes prejuízos, Lucimara Costa e o marido venderam o “carrinho velho” que tinham, emprestaram dinheiro junto à família e compraram uma casa no Parque Jaraguá, bairro tradicionalmente apontado como um dos mais violentos de Bauru. “Já morei aqui (Jaraguá) por 15 anos e nunca tive problemas. Por via das dúvidas, agora fizemos um seguro (residencial). Estou bem feliz na nova casa”, confessa.
Provocada a dar um conselho para alguém que decide abandonar a casa após um trauma, Porto admite que a situação é delicada. E não aponta outra saída que não seja sair da residência. “Como mãe que trabalha fora e deixa o filho sozinho em casa eu diria: ‘Mude ontem mesmo!’. Como corretora de imóveis eu tentaria arrumar outra casa e acomodar a situação”, afirma.