10 de julho de 2026
Bairros

Conseg admite que moradores querem ‘fugir’ da região oeste

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 1 min

Morar na região oeste de Bauru pode se transformar num transtorno para pessoas que temem a violência. Estatísticas policiais indicaram que foi neste pedaço da cidade que aconteceu a maioria das 62 mortes violentas registradas no ano passado.

“Aqui realmente temos bairros em situação crítica”, admite o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Noroeste/Oeste, Osvaldy Martins, o Ticão, para quem os setores sob sua jurisdição têm situação “bem mais complicada” que os ligados aos outros Consegs (Sudeste, Centro/Sul e Leste).

Ticão afirma conhecer diversas pessoas que gostariam de trocar seus imóveis por outros em regiões diferentes, mas lembra que nenhuma delas admite comentar o assunto. “As pessoas ficam com medo de falar e sofrer alguma represália de bandidos. Aqui impera a lei do silêncio”, explica.

O presidente do Conseg diz ainda que a fama já consolidada de local violento desvaloriza os imóveis da região oeste, o que dificulta diversas iniciativas de mudança de casa. Afinal, a suposta tranqüilidade de outras regiões tem um preço que inibe muitas das tentativas de “migração”.

Mesmo diante deste quadro, Ticão garante que o Conseg está trabalhando para reverter a fama de local violento dos bairros localizados na região oeste. “Vamos nas casas das pessoas, fazemos palestras e damos orientações gerais de comportamento para a comunidade. Conversamos com as pessoas sobre as drogas e tentamos tirá-las das ruas”, enumera.

Para minimizar a situação, o dirigente pede mais viaturas, postos policiais e delegacias espalhadas pelos bairros. Além disso, implantou no ano passado o projeto “Amigo do Quarteirão”, no qual a pessoa eleita para a função fica encarregada de anotar os telefones de todos os vizinhos. “O melhor policiamento é o do vizinho”, justifica.