Brasília - Em seu terceiro depoimento à Polícia Federal (PF), na tarde de hoje, em Brasília, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza deverá esclarecer principalmente três fatos: os depósitos de R$ 10,5 milhões feitos para o publicitário Duda Mendonça no Exterior, suas relações com a empresa Guaranhuns e com a corretora Bonus Banval.
Segundo o próprio Valério informou à PF, a Bonus Banval e a Guaranhuns intermediaram o repasse de recursos de caixa dois a petistas e aliados. A informação, no entanto, não foi acompanhada de maiores esclarecimentos. Os repasses da Guaranhuns tiveram, entre seus beneficiários, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que renunciou ao mandato de deputado federal por São Paulo depois de assumir ter usado recursos do caixa dois.
Quanto à Bonus Banval, a corretora teria sido usada para que Marcos Valério investisse R$ 6,5 milhões em ouro, bem como para repassar recursos para o PT, PTB e PP. O principal vínculo entre a Bonus Banval e Valério é o deputado José Janene (PR), líder do PP na Câmara. Foi ele quem apresentou o dono da corretora, Enivaldo Quadrado, a Valério. A aproximação se deu porque Quadrado pretendia vender a Bonus Banval ao empresário, o que acabou não acontecendo.
Advogado de Valério, Marcelo Leonardo disse que seu cliente continua pleiteando os benefícios do instituto da delação premiada, por meio do qual é possível obter redução e até o perdão de pena para eventuais crimes. A delação premiada foi pedida a Valério ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. Na ocasião, ele disse que seria preciso avaliar oportunamente o cabimento do benefício.