10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Professores aderem à greve da Unesp

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Em assembléia realizada ontem, os professores do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiram engrossar o movimento iniciado pelos servidores na quinta-feira passada e deflagrar greve por tempo indeterminado. Com isso, eles pretendem pressionar a Assembléia Legislativa (AL) a votar o mais rápido possível o veto do governador Geraldo Alckmin (PSDB) ao aumento de recursos para as universidades públicas paulistas, previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2006.

As informações são do diretor-presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) seção Bauru, Gilberto Magalhães. A LDO 2006, aprovada pela própria AL, prevê o aumento de 0,43% no repasse de verbas de manutenção para as três universidades - Unesp, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Atualmente, 9,57% do montante recolhido por meio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é dividido entre as três instituições. Com o aumento, o índice subiria para 10%.

Para o próximo dia 13 está marcada uma assembléia de avaliação do movimento. “Nesse dia, também discutiremos a suspensão das férias de final de ano dos professores, já determinada pela Reitoria da Unesp, e a possibilidade de atraso no pagamento do 13.º salário deste ano”, adianta Magalhães.

Segundo ele, o adiamento na AL da votação do veto do governador ao aumento de verbas para as universidades, na última quinta-feira, teve grande peso na decisão dos docentes pelo início da greve. Sem a presença dos deputados governistas, não houve quórum para aprovar a inversão da pauta do dia, o que colocaria o veto em discussão.

Com o adiamento, o assunto foi transferido para a pauta de hoje da Assembléia Legislativa. Hoje, representantes do Fórum das Seis (entidade que congrega os sindicatos de docentes e funcionários da Unesp, USP e Unicamp) vão tentar participar de uma reunião, em São Paulo, com o objetivo de agilizar o andamento das discussões.

“O problema é que o veto do governador é o 161.º item da pauta da Assembléia desta terça-feira. Então, se não conseguirmos a inversão da pauta do dia, a questão não será votada novamente. Como temos urgência nessa decisão, vamos tentar participar, amanhã (hoje), da reunião do colégio de líderes das bancadas dos partidos (dos deputados estaduais)”, informa o presidente do Fórum das Seis, Milton Vieira do Prado Júnior.

Segundo ele, se a entidade não conseguir nem a inversão da pauta de hoje e nem colocar o assunto em discussão até a próxima semana, seus representantes tentarão marcar uma audiência com o presidente da AL, deputado Rodrigo Garcia (PFL).

“Nossa expectativa é de conseguir iniciar as discussões sobre o assunto na semana que vem. Nós queremos apenas que haja coerência neste caso, pois o aumento do repasse de verbas já foi aprovado pelos próprios parlamentares na LDO 2006”, enfatiza Prado Júnior.

Gilberto Magalhães, da Adunesp, lembra que os câmpus de Marília e Assis também estão em greve geral - de professores e servidores.

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Manifestação

Em assembléia informativa (não deliberativa) realizada ontem à tarde pelos servidores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru, ficou definido que será realizada uma manifestação em frente à Câmara Municipal, na próxima quinta-feira. A informação é de Reinaldo Cervatti Dutra, membro do conselho diretor do Sindicato dos Servidores da Unesp (Sintunesp).

Segundo ele, na ocasião uma audiência pública discutirá a Lei Orçamentária (LO) estadual, tema que está sendo debatido regionalmente em várias cidades. “Nosso objetivo é contar com a participação dos vereadores e de deputados para que eles ajudem a mobilizar as bancadas de seus partidos para derrubar, na Assembléia Legislativa, o veto do governador Geraldo Alckmin em relação ao aumento do repasse de verbas do ICMS às universidades públicas paulistas”, observa Dutra.

Segundo ele, o sindicato pretende chamar outras entidades para participar da manifestação, como a Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm).