Brasília - O empresário Sebastião Augusto Buani, 54 anos, negou ontem após depoimento que prestou na Câmara dos Deputados que tenha pago propina ao presidente da Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE), como forma de obter privilégios em um contrato de exploração de um dos restaurantes do Congresso. “Eu não tenho dinheiro nem para pagar minhas contas, quanto mais para pagar propina. Eu não paguei propina a ninguém”, afirmou.
Foi a primeira vez que Buani falou sobre propina. Antes, prometia se pronunciar sobre o suposto pagamento de um “mensalinho” de R$ 10 mil a Severino apenas na Polícia Federal (PF).
Apesar da negativa, Buani e seu advogado, Sebastião Coelho da Silva, foram evasivos em várias perguntas e deixaram no ar a possibilidade de comprovação de parte das denúncias.
O documento, que é anti-regimental, não consta dos arquivos da Câmara e seria uma das provas do suposto favorecimento a Buani. “No momento próprio, vai ser apresentado o que eu tiver”, se limitou a dizer o empresário.
Severino é suspeito de ter cobrado de Buani um “mensalinho” de R$ 10 mil entre março e novembro de 2003, quando era primeiro secretário da Casa. Além disso, teria recebido juntamente com Gonzaga Patriota (PSB-PE) propina de R$ 40 mil do empresário em 2002.
Buani é dono da rede de restaurantes Fiorella e administrava todos os estabelecimentos de alimentação da Câmara até o ano passado. Hoje, controla um deles. Severino nega todas as acusações e diz que foi vítima de uma tentativa de extorsão por parte do empresário.
Buani prestou depoimento por cerca de três horas a uma comissão de sindicância da Diretoria Geral da Câmara formada por três assessores jurídicos. Na cópia do depoimento distribuída aos jornalistas, o empresário responsabiliza o ex-funcionário Izeilton Carvalho, que era até a quinta-feira o gerente-executivo do seu restaurante na Câmara, de ser o responsável pelas denúncias. Ele as teria feito em troca de “compensações financeiras”.
Buani também negou à comissão de sindicância ter conhecimento do manuscrito em que as acusações contra Severino são relatadas. “Raramente anotava as ocorrências havidas com empregados ou
Durante o depoimento, o empresário recebeu uma notificação da Diretoria da Câmara informando a intenção de rompimento unilateral do contrato de exploração do restaurante, que vence no dia 14. Buani diz dever à Câmara R$ 105 mil, mas afirma possuir um crédito de aproximadamente R$ 30 mil por eventos que teria realizado. Ele tem cinco dias para contestar a intenção da Câmara.