08 de julho de 2026
Nacional

Severino não quer deixar o cargo

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), voltou ontem a negar as acusações de que receberia propina e mandou recados, principalmente à oposição, dizendo que não irá se afastar do cargo. Para seus aliados, ele está sendo vítima de uma conspiração das elites.

Para se defender, Severino chegou a evocar sua oratória, que já causou polêmica inúmeras vezes, e também usou sua biografia como argumento de defesa. “Posso tropeçar nas palavras, mas jamais irão encontrar nada que desonre o meu mandato ou atos corruptos que manchem a minha biografia de quase 40 anos de vida pública”, afirmou, em nota que divulgou à tarde, a terceira desde a última sexta-feira.

O líder do PP na Câmara, José Janene (PR), foi ainda mais explícito. “Há uma orquestração por parte das elites que sempre dominaram essa Casa. Querem satanizar Severino em razão de sua origem humilde”, afirmou. Insistindo na sua história pessoal, Severino declarou que levou para a Câmara sua “austeridade” na vida familiar. “A mesma austeridade que marca a minha vida em família e de homem público levei como uma obsessão a seguir em todos os cargos que ocupei”, disse.

O presidente da Câmara, na nota de duas páginas divulgada ontem por sua assessoria, não disse explicitamente que rejeita a hipótese de se afastar da presidência. Ele afirma apenas que não pode “ser colocado à execração pública com acusações sórdidas, irresponsáveis e sem provas”.

O recado de que fica na presidência da Câmara foi dado por Severino ao líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA). Aleluia telefonou ao presidente no começo da tarde para informar a respeito da carta da oposição pedindo seu afastamento do posto. “Não pretendo me afastar”, disse Severino, segundo o relato de Aleluia. O líder da minoria disse então que iria à residência oficial da Câmara às 15h para entregar o documento. “Posso receber, sem problemas”, afirmou.

Dez minutos depois, o presidente da Câmara telefonou de novo, mudando de idéia. “Tenho consulta médica às 15h”, afirmou ele, que fez cirurgia de catarata há duas semanas. A carta acabou sendo protocolada no gabinete da presidência.

Severino voltou a negar que tenha recebido R$ 10 mil mensais do empresário Sebastião Buani, em 2003. “Nesse período [2003] eu já não era primeiro-secretário e não detinha qualquer poder sobre os contratos da Casa, o que denota a má-fé das aleivosias do sr. Buani”, declarou. Ele também negou que tenha assinado documento concedendo a exploração do restaurante da Câmara por cinco anos.