10 de julho de 2026
Regional

Trio incendeia rádios e jornal em Marília

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Marília - O fogo calou temporariamente as duas rádios e o periódico (Diário) do Grupo Central Marília Notícias (CMN). Um incêndio destruiu todo o estúdio da rádio Dirceu AM e parcialmente o da rádio Diário (FM). Também provocou avarias em salas próximas à redação do jornal, instalada no mesmo prédio do grupo. O imóvel - situado na rua Coronel Galdino de Almeida, 55, no Centro - foi encharcado com gasolina na madrugada de ontem por três homens encampuzados, que atearam fogo no local, conforme consta no boletim de ocorrência.

A ação do grupo surpreendeu o vigia Sérgio da Silva Araújo, 39 anos, único funcionário de plantão no momento da ocorrência. Em função do feriado, o periódico não rodou na quarta-feira, informa o repórter do Diário Márcio Zeni. De acordo com ele, o vigilante foi rendido quando procurava rascunho para anotar o endereço da rádio, solicitado por uma mulher morena, com aproximadamente 26 anos.

Quando Araújo virou-se para pegar o papel, dois homens armados com pistolas entraram na portaria. Com a arma apontada para o pescoço, ele foi orientado a permanecer quieto e a informar o local onde as chaves do prédio eram mantidas, acrescenta Zeni. Em determinado momento, Araújo levou uma coronhada no rosto, agressão que resultou num corte sob o olho direito. Depois, suas mãos foram amarradas para trás e uma blusa foi colocada sobre a sua cabeça.

Segundo o relato da vítima, um dos assaltantes permaneceu com ele, enquanto um terceiro homem integrou-se ao grupo. A suspeita é de que o último participante tenha trazido os galões de gasolina (dois de 20 litros e um de 50 litros). Com a ajuda de um dos homens, ele espalhou combustível no segundo andar do prédio - onde ficam os estúdios das rádios - e no primeiro andar, local em que funciona a redação do jornal.

Também umideceram tecidos com gasolina, dispostos sobre a rotativa, instalada no térreo. O equipamento não foi atingido pelas chamas, que se concentraram no primeiro e no segundo andar. O fogo teria sido ateado de cima para baixo. Quando o incêndio começou, o grupo fugiu. Na seqüência, Araújo conseguiu desvencilhar-se e pediu ajuda num posto de combustível, localizado a 50 metros do prédio.

Em cerca de cinco minutos, o Corpo de Bombeiros chegou. Meia hora depois, o incêndio já estava controlado. Segundo o comandante do Posto de Bombeiros, tenente Renato Maciel Carbonari, cinco viaturas e 18 homens foram deslocados até o local. “O que ajudou é que pegamos o incêndio logo no início e o prédio tinha mangueiras e hidrantes. Se tivéssemos que armar nosso equipamento, os prejuízos seriam maiores. Há indícios de incêndio criminoso”, explica o oficial.

Ele ressalta que o prédio foi preservado para o trabalho da perícia e confirma ter encontrado os galões de gasolina. Também classifica como suspeito os focos distintos de incêndio, sendo um constatado no segundo andar e o outro no primeiro.

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Incógnita

A direção do Grupo Central Marília Notícias ainda não fechou o cálculo referente aos prejuízos. Também não divulgou previsão sobre quando serão retomadas as atividades das duas rádios e do jornal. Os leitores serão informados sobre a ocorrência por meio do site do periódico, abastecido numa sala cedida por uma empresa do município.

O clima de incerteza é ainda mais angustiante para os mais de 250 funcionários das três empresas, dispensados até que a rotina seja normalizada. Para voltar ao trabalho, eles aguardam tanto a limpeza do prédio (que até o fechamento desta edição continuava banhado de gasolina), quanto o laudo pericial, que deve ser concluído em dez dias. A Polícia Civil investigará se a ocorrência teve motivação política, como suspeita a direção do grupo.

Até a Delegacia Seccional entrou no caso, que está na mira da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), responsável pelo esclarecimento de ocorrências com autoria desconhecida.