09 de julho de 2026
Polícia

Bauru testa nova versão de boletim de ocorrência digital

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Já não é mais novidade que o boletim de ocorrência tradicional, em pouco tempo, será “peça de museu”. Informatizado, seu substituto interligará todos os Distritos Policiais (DPs) paulistas. Denominado de Registro Digital de Ocorrência (RDO), ele permitirá a criação de banco de dados, pesquisas em tempo real e mapeamento dos crimes por área. No entanto, o sistema implementado em Bauru há cerca de duas semanas apresenta outra peculiaridade.

Ele passou a ser usado a partir de uma linguagem de programação denominada Java. Se aprovada, a nova versão será implementada em todo o Estado de São Paulo. Em municípios como Campinas, Santos e São Paulo, o RDO funciona com o sistema Delphi, que poderá ser substituído, caso a experiência local seja satisfatória.

Para o delegado responsável pelo Centro de Inteligência da Delegacia Seccional de Bauru, Luís Henrique Fernandes Casarini, a nova versão traz algumas facilidades não contempladas na anterior. Ele cita como exemplo, mecanismos que apontam erros de preenchimento ou campos vazios do formulário digital.

“Também apresenta mensagens de auxílio para o operador do sistema. É mais adaptado à Internet e à Intranet. É uma linguagem que trabalha com web, mais adequado para trabalhar em rede”, acrescenta o delegado. No entanto, o sistema não é imune a eventuais problemas.

De acordo com um hacker consultado pela reportagem, cujo nome será preservado a pedido dele, é uma utopia acreditar que exista sistema à prova de falha. Ele destaca que o mais comum nestes casos, é alguém mal intencionado cultivar amizade com um policial, lhe emprestar algum programa que, posteriormente, abra uma porta para que informações do RDO sejam deletadas ou alteradas.

Embora classifique a investida como difícil, Casarini admite a remota possibilidade e ressalta que o sistema funciona dentro de uma rede protegida e criptografada. Além disso, o Departamento de Inteligência da Polícia Civil do Estado de São Paulo monitora o sistema. “Só tem acesso quem tem autorização. O policial precisa estar cadastrado”, informa o delegado.

Os cuidados, no entanto, também não impedem eventuais falhas no sistema. Mas nestas circunstâncias, a nova versão do RDO prevê uma alternativa de contingência. Ou seja, se a linguagem Java travar, a polícia passa a trabalhar com o Delphi. Porém, se o problema for geral, retoma-se a confecção do tradicional boletim de ocorrência. As informações registradas nele, posteriormente, serão lançadas no novo sistema, quando for restabelecido.

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Base de dados

O Registro Digital de Ocorrência (RDO) servirá como base de dados para outros dois sistemas, informa o delegado Seccional, Ântonio Ângelo Ciocca. Um deles é o Ômega, capaz de fazer busca inteligente e identificar, por exemplo, o autor contumaz de crimes praticado pelo Estado. O outro é o Infrocrim, que consegue mapear a cidade a partir de estatísticas referentes às ocorrências registradas até por bairro.

As inovações tecnológicas devem agilizar o trabalho da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Pelo menos esta é a expectativa do delegado titular, J.J.Cardia. “Quando estiver realmente funcionando (começará a operar na delegacia segunda-feira), vai dar para acompanhar, por exemplo, os passos da pessoa e seu modo de operar. Se precisarmos, teremos a informação em tempo real”, afirma.

Concorda com ele o titular do 3.º Distrito Policial, Marcelo Haddad, para quem o sistema é mais completo (em relação ao tradicional) e auxiliará no inquérito policial. Anteriormente, quando a delegacia dependia de alguma informação das delegacias de São Paulo, aguardava aproximadamente uma semana para receber o dado. Com o novo sistema, instalado no 3º DP há cerca de duas semanas, a questão é esclarecida rapidamente.

Em Bauru, o RDO só falta ser instalado no Plantão Policial e na Delegacia de Infância e Juventude (Diju).