08 de julho de 2026
Nacional

Em fórum, parlamentar passa constrangimento

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - Severino Cavalcanti falou a duas platéias distintas ontem, e no fórum no qual podia ser inquirido, não escapou do constrangimento ter de se defender das acusações sobre o “mensalinho”.

Foi pela manhã. Ele falou a empresários e grandes executivos numa reunião do Council of the Americas, onde não conseguiu evitar falar sobre a crise política.

Em seu discurso inicial, segundo alguns presentes, Severino disse que as denúncias que recaem sobre o governo e o Congresso não afetaram a economia, defendeu a política econômica e afirmou que as investigações estão sendo feitas. “As instituições funcionam normalmente, em clima de total liberdade e independência”, afirmou.

Quando o encontro foi aberto para perguntas dos participantes, Severino foi questionado diretamente sobre a denúncia de que teria cobrando “mensalinho” de Sebastião Buani. Negou as acusações e disse que, em 42 anos de vida pública, nunca respondeu a inquéritos. Na saída, executivos consideraram o encontro constrangedor, por conta das acusações que pesam contra o presidente da Câmara.

Depois, ele fez o discurso que motivou sua viagem, na Conferência Mundial de Presidentes de Parlamentos, realizada no plenário da Assembléia Geral da ONU.

Diante de uma platéia dispersa e falando em português por cinco minutos, Severino se solidarizou com as famílias das vítimas do furacão Katrina, protestou contra o governo norte-americano por ter negado vistos a parlamentares de Cuba e do Irã e pintou um quadro positivo do Congresso Nacional brasileiro, sem fazer menção à crise política que paralisa as votações.

“Gostaria de expressar o mais veemente protesto e indignação pela decisão do governo dos Estados Unidos em recusar visto de entrada no país para duas delegações, de Cuba e do Irã, que viriam participar desse encontro”, disse Severino, no início de sua fala.

Antes mesmo do discurso ele anunciara a disposição de “falar grosso”. E aproveitou para fazer uma menção indireta à pressão para que deixe o cargo de presidente: “Nunca falei fino. Os que falam fino é que não gostam de mim”.

O discurso de Severino foi cheio de lugares-comum sobre política externa e recheado com uma série de informações imprecisas sobre políticas sociais e sobre a celeridade dos trabalhos do Legislativo.

Otimista, Severino disse que o Brasil cumprirá as ambiciosas metas do milênio, alvo de polêmica na ONU, antes da data-limite de 2015. Disse que o Congresso tem “papel decisivo” na destinação de dotações orçamentárias para programas sociais e que a “ênfase” da agenda do parlamento brasileiro recai sobre a “formação de blocos” de países.

Não fez nenhuma menção às CPIs, aos processos de cassação contra 18 deputados nem sobre as denúncias de que ele mesmo é alvo.

No término da fala, foi aplaudido timidamente -uma tônica de toda a reunião, marcada pela desatenção da platéia para com os oradores. Depois de falar, permaneceu mais alguns minutos em plenário, trocou cumprimentos e cartões de visitas com outras delegações e se retirou com assessores para programar a antecipação de sua volta ao Brasil.