11 de julho de 2026
Nacional

Inflação baixa favorece a queda dos juros, diz Luiz Fernando Furlan

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - As quedas nos índices de inflação verificadas nos últimos meses podem dar um “conforto” ao Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) para iniciar uma redução de juros já na reunião da próxima semana, disse ontem o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan.

Para o ministro, tudo indica que os objetivos estabelecidos na política monetária foram atingidos com folga. “Isso poderá dar um conforto aos membros do Copom para iniciar efetivamente uma escalada descendente (dos juros)”, disse Furlan.

A tendência de quedas da inflação deve prosseguir em 2006, disse o ministro, vistas as projeções de reajustes de tarifas baseados em índices de inflação. “Todos os dados que têm sido divulgados mostram concretamente uma queda de todos os índices de inflação. Inclusive a perspectiva para o futuro de reajustes de tarifas baseadas em índices mostram para o ano que vem também uma continuidade da queda da inflação.”

O Copom se reúne na próxima semana para decidir qual será a taxa Selic. No mês passado, o Copom manteve a taxa de juros básicos em 19,75% ao ano. Foi o terceiro mês seguido de manutenção da taxa neste patamar. Entre setembro do ano passado e maio deste ano, o BC elevou a Selic nove vezes.

Os dados da indústria mostram que os juros altos já estão afetando o setor produtivo. A produção industrial brasileira registrou queda de 2,5% em julho, na comparação com junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi a primeira queda do indicador após quatro meses consecutivos de expansão. O resultado representa também a maior perda desde janeiro de 2003.

Focus

O boletim Focus, do BC, divulgado na segunda-feira mostrou que a expectativa para a reunião da próxima semana é de uma redução de apenas 0,25 ponto percentual na taxa, contra a expectativa anterior, de 0,5 ponto percentual.

Para o final do ano, os analistas esperam que a Selic recue para 18%, segundo o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo BC. Na ata da última reunião do Copom, os diretores do BC afirmaram enxergar um cenário mais positivo para a evolução da inflação futura.

As expectativas de inflação voltaram a recuar na última reunião do comitê. O mercado prevê que o Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será de 5,23% neste ano, contra 5,26% do levantamento anterior. É a décima sexta revisão para baixo. O BC persegue uma inflação medida pelo IPCA de 5,1% em 2005.

Para o ano que vem, a expectativa do mercado também teve um leve recuo, passando de 4,90% para 4,85%, o quarto consecutivo. A meta de inflação em 2006 é de 4,5%.

Sobre o crescimento da economia, a expectativa cresceu para 3,20% para 2005, contra 3% da previsão anterior. A mudança ocorre após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo semestre, que teve um crescimento de 1,4%, acima do esperado. No ano passado, a economia teve um crescimento de 4,9%. Já a previsão para o crescimento da produção industrial ficou praticamente estável, passando de 4,50% para 4,48%.