09 de julho de 2026
Bairros

Benzedeiras realizam trabalho social na comunidade

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

Além do conforto espiritual proporcionado pelas rezas, as benzedeiras muitas vezes assumem papéis de assistência social que seriam do Estado. É o caso da mãe-de-santo Terezinha Silva Jeremias, 68 anos, que mantém há 30 anos o um terreiro de umbanda no bairro Nova Paulista, nas proximidades da Vila Independência.

No local, há três anos e todos os dias, dona Terezinha atende apenas crianças com suas bênçãos - adultos apenas são recebidos durante as atividades noturnas no terreiro. “Para benzer adultos preciso incorporar (as entidades da umbanda), caso contrário eu me sinto muito mal”, justifica.

O método de diagnóstico é semelhante ao de benzedeiras de outras linhas não africanas. “Quando a criança chega chorando e com dor no corpo, ela está com quebranto”, ensina. Além disso, dona Terezinha também coloca a mão em várias partes do corpo da criança para descobrir o que a aflige. Na seqüência, ela inicia uma série de rezas, que inclui o pai-nosso e a ave-maria, para depois invocar a intervenção dos orixás.

A dona de casa Érica Regina Lacerda, 31 anos, uma das “filhas-de-santo” de dona Terezinha, confirma que a “mãe” é muito respeitada na comunidade devido ao trabalho social que desenvolve nas redondezas. “Ela pede remédios para as pessoas carentes e fornece ervas medicinais”, conta Lacerda, mãe da menina Lidyane, de 3 meses, que acabara de ser benzida por dona Terezinha.

Além dos remédios e ervas, a benzedeira também promove festas para os moradores carentes do local, como no dia de São Cosme e São Damião, quando faz um bolo que cresce a cada nova edição, ou no dia da libertação dos escravos (13 de maio), ocasião em que cerca de 25 quilos de feijoada são oferecidos aos pobres. “A própria comunidade pede auxílio e eu sempre gostei de ajudar”, conta a benzedeira.

Terezinha garante que não cobra por suas bênçãos, desde que tenham caráter filantrópico, como em casos de doença ou pedido de emprego. “Se a pessoa chega aqui para conseguir uma namorada, vou cobrar normalmente. Agora, a caridade não pode ser cobrada”, explica.