08 de julho de 2026
Nacional

Severino: ‘Documento é fraudulento’

Folhapress
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Brasília - O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), acusado de receber propina, negou as acusações ontem durante pronunciamento que precedeu entrevista coletiva. “A história é um completo absurdo”, afirmou. Ele disse que a assinatura da cópia do contrato para a concessão do restaurante Fiorella, na Câmara, que, supostamente seria sua, é falsa.

O documento, segundo Severino, foi examinado por um perito oficial, que concluiu tratar-se de uma falsificação. A suposta cópia do contrato foi apresentada à Polícia Federal pelo ex-gerente do Fiorella, Izeilton Carvalho, na semana passada. A cópia também foi reproduzida pela revista semanal “Veja” em seu site.

Izeilton afirmou em depoimento à Polícia Federal que Severino cobrou uma mesada do empresário Buani para prorrogar a concessão de uso do restaurante na Câmara. Buani, mais tarde, confirmou a história, em entrevista coletiva.

“A meu pedido, o documento publicado pela revista ‘Veja’ foi examinado por um perito oficial. É forçoso constatar que o documento foi montado eletronicamente. Trata-se assim de uma falsificação (de minha assinatura). Afirmo, com absoluta convicção que o documento é fraudulento. Não assinei, nem assinaria tal documento. Ele (documento) é inócuo perante a lei, não implica qualquer conseqüência juridica”, disse o presidente da Câmara, durante entrevista coletiva no Espaço Cultural da Casa.

Acompanhado de seu advogado José Eduardo Alckmin, Severino reafirmou que não irá renunciar. “Resistirei como presidente da Câmara, Não posso me curvar diante de meus adversários. Tenho meu passado. Minha vida pública não começou ontem”, disse ele e acrescentou: “presidirei todas as sessões”.

Severino Cavalcanti também procurou desmontar a versão apresentada por Buani ao chamar a atenção para dois fatores: primeiro, ao mencionar o caráter inócuo do contrato; segundo, é difícil acreditar que um empresário “experiente” como Buani tenha aceito esse contrato.

Segundo Severino, a história foi montada por Buani para prorrogar a concessão do restaurante mediante chantagem, com a ajuda de seus empregados. O presidente da Câmara afirmou que o contrato, assinado do dia 4 de abril de 2002, teve trâmite ilegal na Casa e não tem qualquer validade jurídica.

Severino também negou ter recebido o suposto “mensalinho” do empresário Buani e que a prorrogação do contrato ocorreu com “expressa recomendação da área técnica, sem qualquer interferência minha” e por conta de uma “situação excepcional”: a reforma da cozinha no anexo 3. Ele rebateu a versão da revista “Veja” de que a reforma teria começado somente em novembro em 2003, após o fim dos pagamentos do suposto “mensalinho”. De acordo com Severino, “a diretoria-geral possui toda a documentação de que as providências necessárias para a reforma foram tomadas”.