10 de julho de 2026
Nacional

Extrato de Buani registra saque em data de assinatura de contrato

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Cópia de extrato bancário do empresário Sebastião Buani registra o saque de um cheque de R$ 40 mil no dia 4 de abril de 2002. A data é a mesma do documento supostamente assinado pelo deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), que prorroga a licença de funcionamento de um restaurante na Câmara dos Deputados.

Menos de 24 horas depois de o presidente da Câmara classificar de “fraudulento” o documento de prorrogação do contrato, cópia do extrato bancário foi apresentada à Polícia Federal (PF) pelo dono de restaurante. O extrato mostra que o cheque não foi à compensação bancária, e o dinheiro foi sacado no caixa do banco. “Prova não é, mas é uma evidência, uma tremenda de uma evidência”, comemorou Buani. Os R$ 40 mil corresponderiam à primeira parcela da propina paga a Severino para prorrogar seu contrato com a Câmara.

O dono de restaurante espera receber amanhã a cópia de oito cheques solicitados ontem ao Bradesco. Um deles comprovaria, segundo o empresário, o saque de uma das parcelas do chamado “mensalinho” por um dos motoristas do deputado Severino Cavalcanti.

Ouvida ontem cedo pela Polícia Federal, a gerente da agência do Bradesco à época do saque disse não se lembrar do caso. Jane Albuquerque contou que seguia os procedimentos de praxe para saques de quantias elevadas, como consultar o cliente para confirmar a emissão dos cheques.

A reportagem ouviu dois dos motoristas que servem o deputado, José Sabino e Cláudio Divino, mas eles negam a história. Entre fevereiro e novembro de 2003, Buani afirma ter pago R$ 70 mil em parcelas mensais ao atual presidente da Câmara em troca da prorrogação dos negócios do restaurante. Um desses pagamentos teria sido feito mediante cheque.

Ao sair do prédio da sede da PF, ontem de manhã, Sebastião Buani disse que esperava voltar hoje com a prova que falta do pagamento de propina a Severino.