08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Parece Bagdá, mas é Nova Orleans...


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Não acredito em castigo divino. Mas acredito na lei inexorável do retorno. O sistema irretocável, criado pelo Grande Engenheiro que regia este mundo, depois de séculos de desrespeito e agressão, descontrolou-se, desarticulou-se, saiu dos trilhos. Em nome do progresso, que traz a reboque a ambição e ganância humana, a natureza vem sofrendo agressões de forma sistemática e irreparável. Hoje os Estados Unidos da América são uns dos maiores responsáveis por essa devastação atmosférica e terrestre, natural pois que paguem também pela insanidade humana. Porque apesar de sua ridícula pretensão a deuses e semideuses, ainda vivem na terra e se atiram pedras para o alto é de se esperar que algumas delas voltem aos seus próprios telhados.

A tragédia de Nova Orleans serviu para mostrar que a maior nação do mundo também tem suas chagas fétidas como a pobreza desamparada e uma infra-estrutura tão frágil e vulnerável como a do mais pobre país do terceiro mundo e que a prepotência e a arrogância são incompatíveis e inadequadas à nossa condição humana. E já que falamos em lei do retorno e de causa e efeito, há que se lembrar a mania americana de fazer guerra em terra alheia como forma de garantir sua indústria bélica e, pela truculência, sua autoridade de senhores da vida e da morte ao resto da humanidade.

Assim sendo, quem semeia vento colhe katrinas e quem semeia destruição e ódio deveria, pelo menos psicologicamente, estar preparado para colher 11 de setembro. Só me apequena o coração quando penso nas criancinhas, que não têm direito a voto, nem são consultadas sobre a legitimidade das guerras. Mas não esqueço que crianças são sempre crianças, comovedoramente iguais, seja em Nova Orleans, Manhattan, no Vietnã, em Bagdá ou Hiroshima...

Myrthes Herrera - RG 9.832.097