09 de julho de 2026
Polícia

Homem ‘quebra’ agência do INSS

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 3 min

Pelo menos seis monitores de computador e uma impressora da agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Bauru foram alvo do descontentamento do trabalhador Roberto Magri, 56 anos, no início da tarde de ontem. Ao ser informado pela médica do instituto que não teria direito ao benefício solicitado, o trabalhador, que alega sofrer de transtornos mentais, se irritou e quebrou equipamentos técnicos da agência com uma barra de ferro. Houve correria na agência, mas ninguém foi ferido. A Polícia Militar (PM) foi acionada e o homem foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal.

Segundo a chefe da agência do INSS de Bauru, Regina Maria Alves Gonzales, Magri teria se irritado após ter o pedido de auxílio-doença negado pela quarta vez pela perícia médica do instituto. Transtornado, o rapaz jogou no chão o monitor do computador da sala onde era atendido e, ainda de acordo com Gonzales, teria ameaçado a médica de morte. A médica preferiu não comentar o caso e pediu para ter o nome preservado por temer represálias. Magri nega ter feito ameaças.

Conforme o relato de funcionários da agência, Magri saiu descontrolado da sala médica e quebrou a base de ferro que servia de sustentação a um monitor. Com o objeto de aproximadamente 80 centímetros de comprimento em mãos, o trabalhador andou pela agência destruindo outros equipamentos. No momento, por volta das 14h30, a agência já estava fechada e, segundo Gonzales, havia cerca de 30 pessoas na agência local, entre funcionários e segurados.

Em entrevista à reportagem, Roberto Magri afirmou sofrer de transtornos mentais e, por isso, teria comportamento violento em certos momentos. “Perdi a noção de tudo (quando a médica deu a resposta negativa). Mas em sã consciência eu não faria isso. Foi por causa da revolta e porque estava sem um medicamento”, diz.

Magri, cujo último emprego foi de zelador, afirma que há seis meses tenta conseguir o auxílio-doença, devido a problemas crônicos de saúde. Ele declarou que possui laudos médicos que comprovariam sua incapacidade para o trabalho e apresentou receitas médicas do Núcleo de Atendimento Psicossocial (Naps), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde.

Após quebrar equipamentos, de acordo com os seguranças da agência, Magri ficou andando pelo prédio com a barra de ferro na mão, mas assegurava que não pretendia ferir ninguém. A PM foi chamada e o trabalhador não resistiu à ação policial. Como os equipamentos danificados pertencem a órgão federal, ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia Federal.

Dano

De acordo com a delegada da Polícia Federal (PF) Ana Carolina de Freitas Gholmie, foi instaurado inquérito para apurar o caso e, até o momento, pesa contra ele o crime de dano qualificado contra patrimônio. Se condenado, pode sofrer pena de seis meses a três anos de reclusão e, dependendo da decisão, deverá pagar os danos causados. A gerência local do INSS ainda não havia contabilizado os prejuízos.

As acusações de ameaça a funcionários ainda serão apuradas. Segundo Gholmie, Magri apresentou laudos médicos e, após contatos com a rede básica de saúde, ela confirmou que o investigado faz tratamento psiquiátrico. “Ele realmente tem alguma perturbação psicológica. Talvez seja necessário análise (médica), mas isso cabe ao Ministério Público Federal, que será o titular da ação”, explica. Roberto Magri foi liberado após prestar depoimento.

Atendimento

O gerente-executivo do INSS em Bauru, Josué Lopes Moreira, afirmou que parte do atendimento na agência será prejudicado devido aos danos causados aos equipamentos e por não haver outros sobressalentes. Os serviços de perícia médica devem ser os mais afetados. “Vamos abrir normalmente, mas talvez tenhamos que limitar a quantidade de senhas oferecidas”, explica.

Para garantir a tranqüilidade na agência hoje, a chefe da agência, Regina Maria Alvesa Gonzales, informou que foi solicitado reforço na segurança. Ela explica ainda que qualquer medida para evitar problemas iguais ao de ontem depende de verba federal.