Brasília - O ex-presidente do PT José Genoíno transferiu para Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, toda a responsabilidade pelo caixa dois e pelos empréstimos realizados pela legenda.
Em seu depoimento à CPI do Mensalão, José Genoíno negou mais uma vez a existência do “mensalão”, o suposto esquema de compra de apoio dos partidos aliados ao governo, denunciado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ).
Mais à frente, o ex-deputado disse que o PT não tem conta no Exterior e que o partido não fez “vale-tudo” para governar. De acordo com o ex-presidente do PT, Delúbio Soares tinha autonomia para “planejar, arrecadar e pagar as despesas do PT”.
Enquanto ouvia as perguntas e comentários mais contundentes, José Genoíno sempre abaixava a cabeça e fazia anotações. Ele isentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado José Dirceu de participação nas irregularidades e acrescentou que somente reconhece uma dívida de R$ 20 milhões - o valor, de acordo com o ex-deputado, consta da prestação de contas encaminhada pelo partido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Do total reconhecido pelo ex-presidente do PT, Genoíno declarou que avalizou R$ 5,4 milhões.
José Genoíno disse também que, ao assumir a presidência do PT (em janeiro de 2003), informou aos integrantes da Executiva que não participaria das negociações sobre cargos, da administração interna do PT e do planejamento e arrecadação financeira. “Somente fiquei sabendo das dívidas não contabilizadas pela imprensa.” As declarações não convenceram os membros da CPI que questionaram o fato de o presidente do partido não saber o que um subordinado seu estava fazendo.
Ainda em seu depoimento, José Genoíno admitiu “encontros eventuais” com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como operador do suposto “mensalão”. “Encontrei com ele algumas vezes na sede do partido, mas nunca tive qualquer relação com o publicitário.
José Genoíno também defendeu o seu pedido de aposentadoria - aprovado pouco tempo depois de o ex-deputado se afastar da presidência do PT, em julho último. “Como presidente (do PT) eu tinha carteira assinada e um salário. Sou pobre, tenho apenas uma casa, não tenho carro, não tenho posses. Portanto, depois de quase 20 anos de mandato, requeri a minha aposentadoria, até mesmo como forma de sobrevivência. E não recebo R$ 8 mil de aposentadoria, como muita gente falou, mas R$ 6 mil.”
No final da tarde, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), após elogiar o comportamento de José Genoíno como presidente do PT, criticou a sua atuação à frente da legenda. “Acho que o senhor foi omisso, ao delegar poderes para outras pessoas. A sua omissão foi um erro político. Mas, conte comigo, sempre, até mesmo para ajudar a pagar os seus advogados.”
____________________
Campanha
Brasília - O ex-presidente do PT José Genoíno negou à CPI do Mensalão que tenha usado caixa dois em sua campanha para o governo de São Paulo em 2002. “Não houve caixa dois. E R$ 6 milhões é um retrato bem real dos custos da campanha” disse, em referência aos gastos de campanha declarados.
Apesar de confirmar ter se afastado da presidência do PT por “falta de condições políticas”, Genoíno se recusou a fazer qualquer crítica a seu partido. Disse ainda que “não há traições dentro do PT.” Genoíno disse que vai se afastar por algum tempo, não só da direção partidária, mas também da vida pública.