09 de julho de 2026
Nacional

Valério intermediou o encontro entre Rural e Dirceu, diz presidente do banco

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A presidente do Banco Rural, Kátia Rabelo, disse ontem, em depoimento à CPI dos Correios, que o empresário Marcos Valério de Souza era um “facilitador” de contatos entre a instituição e terceiros. “O senhor Marcos Valério foi um facilitador da interlocução do Banco Rural com várias pessoas”, disse ela a deputados e senadores que integram à Comissão Parlamentar de Inquérito.

Ela confirmou que esteve pessoalmente com o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) no hotel Ourominas, em Belo Horizonte, conforme disse a mulher do empresário Marcos Valério, Renilda Santiago, também em depoimento à CPI, no mês passado. Rabelo negou, no entanto, que tivesse tratado com Dirceu de empréstimos tomados por Valério no banco e repassados ao PT. Em sua defesa, o ex-ministro tem afirmado que não tomou conhecimento dos empréstimos que o empresário mineiro obteve para o PT no Rural, ao contrário do que disseram Renilda e o próprio Valério.

Rabelo contou, no entanto, que conversou com o ministro sobre os planos de concluir a liquidação extrajudicial do Banco Mercantil de Pernambuco, comprado pelo Rural em 1995. No mês passado, a revista “Veja” publicou reportagem na qual informou que Marcos Valério estaria chantageando o governo para que pressionasse o Banco Central a suspender a liquidação do Mercantil, o que beneficiaria o Rural. Em troca, de acordo com a revista, Valério ganharia comissão de R$ 200 milhões.

“Uma das pessoas com as quais nos tratamos desse assunto foi o ministro José Dirceu”, disse Rabelo. Ela ressaltou, contudo, que “não negociou” o assunto com o ministro, que apenas o “posicionou, na verdade”, sobre o que estava acontecendo. O Rural defende que a liquidação do Mercantil poderia ser suspensa dada a valorização de títulos públicos na carteira da instituição.

O Rural concedeu um empréstimo de R$ 42 mil a ex-mulher de Dirceu Maria Ângela Saragoça, para a compra de um apartamento em São Paulo. Rabelo disse que operação de crédito imobiliário “não faz parte do nicho do banco”, mas disse acreditar se tratar de uma operação normal. Informou que talvez o financiamento tenha sido liberado a pedido de José Augusto Dumont, ex-dirigente do banco, morto em fevereiro de 2004.

Acompanhada de executivos e advogados do banco, a executiva foi muito questionada pelos parlamentares sobre as razões técnicas para o Rural emprestar dinheiro ao PT sem exigir como contrapartida garantias reais. Num dos empréstimos, no valor de R$ 3 milhões, a única segurança do banco era a assinatura de Marcos Valério como avalista solidário da operação.

A vice-presidente do banco Ayanna Torres disse que o relacionamento de Valério com a instituição financeira era sólido e que suas empresas tinham plenas condições de honrar o empréstimo em caso de inadimplência do PT. Segundo Ayanna, de 2000 a 2005, as empresas de Valério movimentaram cerca de R$ 525 milhões.