Cidade da Guatemala - Em rápida entrevista ontem na Cidade da Guatemala, onde cumpriu agenda oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o ex-prefeito paulistano Paulo Maluf não será o “primeiro nem o último” a ser preso pela Polícia Federal (PF) por conta de irregularidades. “Todos que tiverem alguma dívida com a sociedade terão que ser investigados e terão que ser punidos.”
Cercado por jornalistas brasileiros no hall do hotel em que se hospedou na Capital guatemalteca, o presidente também comentou as eleições petistas do próximo domingo, a situação política do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), a pesquisa CNT/Sensus de ontem e a suspeita de que o PT pagou passagens aéreas a seus familiares com recursos do Fundo Partidário, o que é irregular.
Lula foi questionado se a prisão de Maluf representa um marco. “Olha, veja, não a prisão do Maluf. Todos que forem comprovadamente pegos cometendo irregularidades têm que ser julgados em igualdade de condições.”
Lula falou pela primeira vez sobre a situação política de Severino Cavalcanti. “O que vale para os outros deputados vale para o presidente Severino. Há uma denúncia contra ele, ele diz que a denúncia é falsa, agora cabe ao Congresso, com muita maturidade, investigar, e, depois de investigar, tomar a decisão.”
Mesmo dizendo que “não tem por hábito” comentar pesquisas, Lula falou do resultado da CNT/Sensus divulgada ontem. Ao tratar do tema, demonstrou confiança em sua popularidade, dizendo que um governante em sua situação, diante de uma crise política, já estaria com índice “zero” de aprovação.
Com ironia, Lula também comentou o fato de seus familiares terem supostamente sido beneficiados por recursos do Fundo Partidário, assim como o ministro Antônio Palocci Filho (Fazenda), que, anteontem, informou que devolverá ao PT o dinheiro de “eventuais” despesas de viagens de familiares pagas pelo partido em 2002. “Eu até fiquei surpreso com a notícia. Agora eu estranharia se fosse o PSDB ou o PFL que tivesse pago a minha passagem.”