Campinas - Presos da cadeia pública de Itatiba (84 quilômetros de São Paulo) se rebelaram no final da noite de anteontem após uma briga interna. O motim iniciou por volta das 21h30 e só foi contido 14h depois. Durante a rebelião, cinco presos foram mortos pelos amotinados, sendo dois deles decapitados. Outros dois presos ficaram gravemente feridos. Não houve registro de fugas.
De acordo com o delegado Seccional de Itatiba, Joaquim Dias Alves, a briga que originou o motim começou em uma das cinco celas da cadeia. Os presos se rebelaram e arrombaram as celas ganhando acesso ao pátio interno e a cozinha da unidade.
No momento do motim, um carcereiro e um escrivão estavam na delegacia, que tinha capacidade para abrigar 24 presos, mas mantinha 112. Armados de facas e estiletes, produzidos a partir de barras de ferro das próprias celas, os amotinados passaram a ameaçar os companheiros. Os detentos mantidos reféns eram amarrados nas grades das celas e torturados.
Cinco presos foram mortos pelos amotinados, sendo que dois deles tiveram a cabeça degolada a golpes de facão. O clima tenso e as mortes ocorreram durante toda a madrugada e foram acompanhadas pelos moradores de casas vizinhas à delegacia.
“Foi um horror. Ouvíamos os gritos à noite toda. Ninguém aqui dormiu. Apenas trancamos toda a casa e ficamos ouvido os gritos e rezando”, disse uma moradora vizinha à cadeia, que não quis ter o nome revelado pela reportagem.
Outros dois presos ainda eram mantidos reféns, amarrados nas grades de uma das celas da delegacia. Eles ficaram detidos até a chegada da juíza corregedora de Itatiba. Érica Fernandes chegou na manhã de anteontem, e a sua presença foi uma reivindicação dos amotinados.
De acordo com a juíza, responsável em intermediar as negociações com os presos, não havia uma reivindicação objetiva por parte dos rebelados. “Eles estavam bastante nervosos e queriam a garantia de que a tropa de Choque da Polícia Militar não invadiria a cadeia”, disse. Com o andamento das negociações os amotinados começaram a entregar as armas.
No total, foram quase duas horas de conversa entre os presos e a juíza até a rendição total, e a libertação dos dois últimos reféns, ocorrida por volta das 11h. Com a rendição dos presos, os feridos e os mortos começaram a ser removidos da cadeia, que ficou totalmente destruída. Os presos foram colocados no pátio da unidade para serem identificados.
A juíza informou que após a rebelião a cadeia de Itatiba será interditada. “Não há a mínima condição desses presos permanecerem aqui. Vou solicitar a preparação do material e análises para pedir formalmente a interdição da cadeia”, disse Fernandes.
Segundo a juíza, todos os presos da cadeia de Itatiba serão transferidos para outras cadeias da região e até mesmo da Capital. No entanto, a juíza admitiu a dificuldade em realizar o remanejamento dos presos, por conta da existência de facções criminosas entre os rebelados.
“Muitos aqui integram facções criminosas rivais ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A transferência nesses casos acaba comprometida por que o preso pode correr risco de morte se for remanejado inadequadamente”, disse.