08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Chora, rio Bauru


| Tempo de leitura: 2 min

Chora, rio Bauru querido, sobre o lixo que o bicho homem deposita no seu leito, chora o jacaré perdido nas suas margens poluídas, o mau cheiro insuportável que exala do seu leito ferido. Chora eu, chora você por todo esse lixo espalhado, chora o rio que era tão bonito e hoje é apenas marcas do passado, era um santuário encantado. Quem trouxe tanta sujeira? Os esgotos clandestinos que o homem sem piedade vai matando o rio menino. Cadê a paisagem antiga que o verde fez crescer, cadê o verde da nascente imaculada, quem trouxe para suas margens tanto vidro, tanta lata, tantas garrafas de plástico que o tempo não consome? Com tanta sujeira, o seu leito vai acabando, será que é obra do destino ou irresponsabilidade e covardia do bicho homem?

Chora, rio Bauru, como uma criança, que seu brinquedo levaram. Assim é o seu leito sem vida, que a vida lhe roubaram, que pena, é o bicho homem o único responsável, quem pisou sobre as plantas e quebrou mais esse galho, quem é mesmo o responsável pelas águas contaminadas. Aos nossos ambientalistas, lutem contra esses crimes, estão matando sem piedade nosso rio e nosso cerrado é um pedaço da cidade que vão destruindo. Chora, rio Bauru, angustiado, e leva por essas águas esse meu grito de dor e meu lamento profundo, quem sabe um dia o bicho homem possa vir a compreender que mais vale a terra limpa e a boa água de beber do que o lixo espalhado por toda essa ribanceira que faz desse vale encantado uma verdadeira lixeira.

Chora, rio Bauru, seu perfume hoje tem cheiro da essência de fedentina. Quem passa na Nuno de Assis, no seu sentido contrário, não suporta o odor, olha triste acabrunhado para essa grande sujeira, chora o jacaré solitário no rio, cadê o rio que antes trazia vida, a mata cadê a mata, tão bonita de outrora, cadê a paisagem e o verde que era tão colorida? Cadê as flores das árvores da suas margens destruídas, vestem luto, ficam mudos sem resposta quando pede explicação. Será que os homens do poder público não têm solução, salve o rio de toda essa maldade. Que herança vamos deixar para as novas gerações. No dia do grande juízo ao homem será cobrado, então, nessa hora este ser racional reconhecerá seus erros cometidos nos dias atuais. E daí já será tarde porque o tempo cicatrizou as marcas e tudo é passado.

Jaime Prado - Mtb 038076 - RG 9.656.152