09 de julho de 2026
Nacional

Correios contratam 2 mil temporários

Por Patrícia Zimmermann | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A decisão dos funcionários dos Correios de entrar em greve ontem levou a direção da estatal a acionar um plano de contingência e contratar 2 mil funcionários em caráter temporário a fim de minimizar os efeitos da paralisação. O Comando Nacional de Negociação, ligado à federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect), estima que o movimento tenha atingido 70% dos funcionários em todo o País em seu primeiro dia.

Mas os Correios afirmam que apenas 11,6 mil trabalhadores - ou 10,75% - dos 108 mil não compareceram ontem ao trabalho. A estatal admitiu, no entanto, que a paralisação afetou cerca de 20% das entregas de cartas e encomendas, pois o movimento atingiu principalmente as atividades de transporte e distribuição.

Para tentar forçar uma negociação com os funcionários ou buscar uma arbitragem para o impasse, a estatal entrou ontem com um pedido de dissídio no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Segundo Celso Lima de Paiva, sindicalista do Paraná que integra o Comando de Greve, a estatal tenta desmobilizar o movimento e impedir que os funcionários exerçam seu direito de greve.

A reivindicação

Os trabalhadores reivindicam um reajuste real de 20%, mais a correção da inflação medida pelo IPCA (5,67%) a partir de agosto, e a elevação do piso salarial de R$ 448,00 para R$ 931,00. A estatal ofereceu um aumento de 8% entre agosto e dezembro deste ano e mais 3,9% a partir de janeiro, totalizando 11,9%, mais um abono de R$ 600,00. Paiva criticou a decisão da empresa de levar as discussões ao TST em vez de reabrir as negociações com os trabalhadores. Ontem, integrantes do movimento também foram ao TST apresentar suas propostas.

As negociações, segundo Paiva, tiveram início em julho, mas avançaram pouco. Além de tentar uma conciliação entre as partes, o TST deverá julgar se a greve é legal ou não. Os trabalhadores também aproveitam as negociações para cobrar dos Correios um passivo que representaria uma alta de 52% nos salários.

O sindicato propõe que esse passivo relativo a perdas salariais desde 1994, discutido na Justiça, seja pago em três parcelas. A empresa afirma que as reivindicações dos trabalhadores somariam uma despesa anual de R$ 24 bilhões para os Correios, o correspondente a três vezes o faturamento da estatal. A folha de pagamento dos 108 mil funcionários consome hoje cerca de 60% das receitas dos Correios.

Segundo o balanço dos trabalhadores, o movimento atingiu 80% dos trabalhadores em São Paulo e 70% no Rio, mas também é forte no Paraná, Rio Grande do Sul e em outros Estados. A direção dos Correios informou, por meio de sua assessoria, que o início da greve leva as negociações à estaca zero, o que significaria a correção pelo IPCA mais um abono de R$ 400,00.