09 de julho de 2026
Nacional

Polícia prende 44 pessoas em Cumbica

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A Polícia Federal (PF) prendeu ontem 44 pessoas acusadas de operar um esquema de migração ilegal para os EUA e contrabando no Aeroporto Internacional de São Paulo (conhecido como aeroporto de Cumbica), em Guarulhos (na Grande São Paulo).

Entre os presos estão agentes da própria PF e da Receita Federal, além de funcionários de companhias aéreas, agenciadores de migrantes que operavam na região de Ipatinga (MG) e falsificadores. A Embaixada dos EUA informou que cerca de 50 pessoas beneficiárias do esquema já foram presas naquele país, entre brasileiros e estrangeiros.

Representantes das polícias dos EUA e da Espanha obtiveram autorização judicial para acompanhar as ações da PF ontem, batizadas de Canaã (migração) e Overbox (contrabando). Apesar de José Ivan Lobato, superintendente da Polícia Federal em São Paulo, ter destacado que o órgão está “cortando na própria carne” com as ações, a PF não divulgou o nome de todos os presos, mas apenas os de dois peruanos, A.W. e M.O., acusados de fabricar documentos falsos, entre eles passaportes espanhóis, em um “laboratório” no Tatuapé, zona leste da Capital. Os dois peruanos não puderam ser ouvidos. “A Polícia Federal não visa classe nem profissão. Tanto que hoje está cortando na própria carne”, afirmou Lobato.

Prisão temporária

Todas as 44 pessoas cumprirão prisão temporária, de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. São acusadas de formação de quadrilha, migração ilegal, contrabando e falsificação de documentos. Sete são agentes da PF no aeroporto e um é funcionário administrativo - segundo a polícia, seria peça-chave no esquema, por avisar quando agentes corruptos estariam trabalhando. Dois presos são funcionários da Receita.

A polícia também não divulgou o nome das empresas aéreas cujos funcionários foram acusados de envolvimento no esquema. Segundo informações do órgão, esses funcionários agiriam no check-in, dando caminho livre para os que migravam para os EUA com documentos falsos. Outras 12 pessoas ainda estavam sendo procuradas até a tarde de ontem. De acordo com a polícia, a divulgação dos nomes poderia atrapalhar o fim das operações, previsto para hoje. Em Minas Gerais, foram presos oito agenciadores de migrantes, ainda de acordo com a PF.

As operações Canaã e Overbox foram classificadas pelo superintendente da PF em São Paulo como “duro golpe contra o crime organizado”. Segundo ele, 600 policiais de outros Estados participaram das ações, que contaram ainda com a colaboração de duas procuradoras do Ministério Público Federal.

De acordo com o superintendente da PF, as investigações foram iniciadas em 2003 em razão de denúncias das duas embaixadas. Por enquanto, a PF está focada no modo como operavam as quadrilhas, que tinham integrantes comuns agindo para o contrabando e para a migração ilegal para os EUA.