Brasília - O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) recorreu da decisão da Câmara ao Supremo Tribunal Federal (STF) e anunciou que vai requerer aposentadoria. Também disse hoje que o ministro Walfrido Mares Guia (Turismo) deve se desligar do PTB.
O pedido ao STF foi feito anteontem à noite. Segundo o advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, que assinou um mandado de segurança impetrado no STF com pedido de liminar, Jefferson não teve direito a ampla defesa e ao contraditório.
Outra alegação é que o presidente do PL, Waldemar Costa Neto, autor da representação contra Jefferson no Conselho de Ética da Câmara, teria admitido, em depoimento, a existência do chamado “mensalão”. “A confissão de Costa Neto foi suprimida do texto final do deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), relator do processo que culminou com a cassação do deputado.
Ele cobrou a saída de Walfrido do PTB. “Vou fazer um apelo para a minha bancada se afastar do governo. Conversei com o ministro Walfrido e ele me disse que, a partir do momento que eu fosse criticar o presidente Lula, como estou fazendo duramente, ele se desligaria do PTB, porque ele ficaria no governo e sairia do partido. E é hora de ele fazê-lo”, disse Jefferson.
“E se o PTB ficar atrelado ao governo por causa do Ministério do Turismo será um partido de traque”, disse Roberto Jefferson, autor das denúncias sobre o suposto “mensalão”, cassado ontem por 313 votos -156 parlamentares votaram pela sua absolvição e 20 se abstiveram.
Jefferson justificou os 313 votos favoráveis à cassação. “São os 300 picaretas do presidente Lula, o 13 do PT (número do partido) e os picaretas do PT. Eu só não sabia que seria um número tão cabalístico.”
O ex-parlamentar, que vai voltar a morar no Rio de Janeiro, disse que já começou a arrecadar os R$ 4 milhões que teriam sido repassados pelo PT antes das últimas eleições. “Não fiquei com nenhum centavo. Os companheiros que receberam o dinheiro vão me ajudar a devolvê-lo por via legal”, disse, sem citar os beneficiários.
Em entrevista coletiva, evitou pedir a saída de Luiz Inácio Lula da Silva. “Não quero o impeachment dele não. Quero que ele vá até o final. Tem que ir até o final, sangrando. Cada dia com sua agonia. A máscara do PT está caindo, e a máscara do governo dele também. Se você interromper agora, ele pode dar uma de Chávez (Hugo Chávez, presidente da Venezuela), dizer que está sendo perseguido pela direita e pelas elites, que é um homem do povo.”
O presidente licenciado do PTB disse que vai requerer aposentadoria parlamentar. “Eu preciso sobreviver a partir de agora. Vai ser difícil para mim daqui para a frente.” Jefferson ironizou os relatos de que Lula ficou aliviado com a cassação: “No meu mandato, estava sendo um incômodo muito grande para o governo”.
Com ironia, o ex-deputado comparou o presidente Lula ao ex-presidente do PT, José Genoíno. “Tenho para mim que o presidente Lula é uma espécie de Genoíno. O Genoíno presidiu o PT sem ler o que assinou, não sabia o que acontecia no partido, era avalista de empréstimo de milhões e não sabia. E o Lula é a mesma coisa, o que ele assina ele não sabe. E como ele é preguiçoso, ele delegou poderes ao deputado José Dirceu.”
Para Roberto Jefferson, o presidente Lula sabia da corrupção no governo. Ele afirmou, contudo, que foi mal-interpretado em seu discurso ontem: ele teria dito que assessores de ministros, e não os próprios ministros, receberam dinheiro.
Jefferson insinuou que o volume movimentado ilegamente por integrantes do governo e deputados é “bem maior” do que está sendo divulgado. “Jamais imaginei que dava R$ 2 bilhões, só no Banco Rural e BMG. E os fundos de pensão? E a ação do Gushiken? Por que o “japoronga’ foi se esconder debaixo da saia da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil)?.”