08 de julho de 2026
Nacional

Evento da Cultura termina com vaias

Folhapress
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A voz do povo é a voz de Deus. Mas não é a voz do júri do “Festival Cultura - A Nova Música do Brasil”. Foi histórica a vaia que o público ofereceu aos vencedores na entrega do prêmio na final do festival, na madrugada de ontem.

Finalmente, o festival se elevava acima da mediocridade. Não por si, que se manteve careta até o final, mas pelo público, que instintivamente exigia um pouco mais de leveza, descontração e emoção (e qualidade!) naquele ambiente de seriedade e falsa “boa música”.

“Contabilidade” era uma música chata, com letra chata, que citava “a alta do preço do preservativo de baixa qualidade”. “Achou” é bonita, inteligente, emocionante. A segunda foi a favorita do público. A primeira ganhou o festival. No momento da premiação, o público fez questão de deixar ruidosamente clara sua opinião.

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, escalado para entregar o prêmio (uma plaqueta simbólica, R$ 50 mil, na realidade) para os escolhidos, acabou também vaiado no palco por tabela.

Danilo Moraes Doratiotto (filho de um dos apresentadores do festival, Wandi Doratiotto) e Ricardo Teperman, autores e intérpretes da canção vencedora, se mostravam constrangidos, mas tentavam manter a dignidade se concentrando num pequeno grupo de fãs que se juntou na frente do palco para apoiá-los.

Parte do teatro tentou ensaiar um coro reafirmando o favoritismo de “Achou”, canção de Dante Ozzetti e Luiz Tatit, que havia sido cantada brilhantemente por Ceumar, mas foram desencorajados pelo próprio festival.

O vencedor popular Luiz Tatit, após a entrega dos prêmios, em conversa informal, matou a charada: “Achei que a música vencedora é muito boa. Mas talvez, se a seleção fosse a mesma e a colocação outra, teria sido mais compatível com o público. Imagino que na conversa do júri tenha entrado o fator juventude”.

“Achou” terminou em segundo lugar, e a terceira posição ficou com “Girando na Renda”, de Pedro Luís, Flávio Guimarães e Sérgio Paes. Walter Braga ganhou a plaqueta (e o dinheiro) de melhor letra por “Haicai Baião”. No prêmio de melhor intérprete, houve empate entre Marcelo Pretto (“Startrek de Tacape”) e Ana Luiza (“Cassorotiba”). Todos ganharam R$ 10 mil, exceto o segundo lugar para composição (R$ 20 mil). Vale lembrar que a TV Cultura, organizadora do festival, funciona com dinheiro público.

Ao final, ficou a clara impressão de que o melhor do festival surgiu natural e inesperadamente. Foi a empolgação e a emoção real da platéia espectadora e participante, que conseguiu se comover sinceramente com uma música e torcer por ela, fazendo com que, mesmo que o resultado prático não tenha sido o ideal, o moral do público tenha saído em alta.

Na TV, a final do festival, exibida das 22h04 à 1h25, teve audiência média de 1 ponto -equivalente a cerca de 52 mil domicílios na Grande São Paulo.